Estratégia de carregar estoques de etanol influencia resultados na safra 2015/16

dsc4172A estratégia de carregar estoques de açúcar e de etanol para comercialização futura teve peso importante no resultado da maioria das empresas sucroalcooleiras listadas na BM&FBovespa durante o primeiro trimestre do ano-safra 2015/16 (abril, maio e junho).

Raízen Energia e São Martinho tiveram receita menor, enquanto a Tereos Internacional, controladora da Guarani, registrou crescimento modesto. Apenas a Biosev viu a receita aumentar de forma considerável no período, justamente por ter realizado parcela maior de suas reservas. Os dados constam dos balanços divulgados recentemente.

“Aquelas (companhias) que não estão precisando de caixa conseguem estocar. Elas ‘sacrificam’ a receita de agora para ter uma rentabilidade maior no futuro”, explicou ao Broadcast Márcio Montes, analista do BB BI.

De fato, o contrato do açúcar negociado na Bolsa de Nova York para março de 2016 tem girado em torno de 12 centavos de dólar por libra-peso, acima dos 10,60 centavos de dólar do contrato para outubro próximo.

Em relação ao etanol, há um sazonal aumento de preços entre dezembro e março, período de entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul. Atualmente, o litro do hidratado nas usinas paulistas está em R$ 1,1750 (sem impostos), de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

Raízen

Maior processadora de cana do País, com 24 unidades, a Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, reportou estoques de 846 mil toneladas de açúcar em 30 de junho, 6% mais na comparação com igual data do ano passado.

O segmento açúcar teve peso na queda de 2,3% na receita operacional líquida da empresa, para R$ 1,64 bilhão. Já as reservas de etanol fecharam o trimestre com ligeira redução de 1%, para 458 milhões de litros.

A própria companhia, porém, destacou que esse resultado se deveu às vendas aquecidas de hidratado. “Os aumentos de preço e a volta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) na gasolina melhoraram a competitividade do etanol, gerando um crescimento de 10,2% no volume vendido, principalmente de revenda e trading neste trimestre”, informou o balanço divulgado na semana passada. Os destaques do resultado da Raízen Energia podem ser acessados na reportagem Com moagem trimestral menor, Raízen Energia registra prejuízo líquido de R$ 26,3 milhões

São Martinho

O Grupo São Martinho, que tem quatro usinas em operação, reportou receita 6,7% menor no trimestre, de R$ 476,70 milhões. Em contrapartida, as reservas de açúcar aumentaram 48,2%, as de hidratado subiram 54,2% e as de anidro cresceram 105,9% no trimestre frente igual intervalo de 2014. “Estamos efetivamente segurando estoques em busca de preços melhores”, afirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Felipe Vicchiato, em teleconferência também na semana passada. Veja também: Capitalizada, São Martinho segura estoques e reduz lucro em 53% no 1º tri

Tereos

Outro importante player do setor, com sete usinas no noroeste paulista, a Tereos Internacional registrou aumento de 8% na receita, para R$ 1,95 bilhão. A controladora da Guarani não informou os volumes de açúcar e de etanol, mas o diretor da Região Brasil da companhia, Jacyr Costa Filho, comentou ao Broadcast no início de agosto que a empresa está utilizando recursos próprios para estocagem, na expectativa de “preços atraentes” na entressafra. Veja também: As 7 usinas da Guarani (Tereos) perderam R$ 77 milhões no trimestre inicial da safra 2015/16

Biosev

Na contramão das demais, a Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities (LDC), reduziu tanto as reservas de açúcar (-22%) quanto as de etanol (-17%). Em relatório, os analistas Viccenzo Paternostro e Victor Saragiotto, do Credit Suisse, entretanto, dizem que a empresa ainda tem espaço para se beneficiar da elevação das cotações desses produtos, algo que deve ocorrer somente em 2016. “O fluxo de caixa ainda não está claro no curto prazo e o aumento da alavancagem devido à desvalorização do real (ante o dólar) nos próximos trimestres preocupa”, ponderaram. Veja também: Biosev mantém trajetória negativa e prejuízo líquido sobe 79% no 1º tri

Fonte: Texto: NovaCana.com e Imagem: Globo

Tempo seco favorece colheita de cana e café no Brasil até fim de agosto

CanaAs condições para as colheitas no principal cinturão produtor de cana-de-açúcar e café do Brasil permanecerão secas até o fim de agosto ou começo de setembro, quando as primeiras chuvas em mais de um mês cairão sobre a região agrícola do Sudeste, disse a Somar Meteorologia nesta terça-feira.

O agrometeorologista da Somar Marco Antônio dos Santos disse que o tempo seco continuará a favorecer as operações de colheita pelas próximas semanas em quase todo o Brasil. As áreas brasileiras de cana e café estão no auge da colheita.

O Rio Grande do Sul está vendo uma moderada ocorrência de chuvas, mas os céus ficarão limpos já na quinta-feira, permanecendo o tempo seco até pelo menos o fim de agosto, disse Santos.

“A massa de ar seco está inibindo a formação de nuvens sobre a maior parte do Brasil”, disse Santos em vídeo postado na internet. “As condições estão sendo maravilhosas para a colheita do café, da cana-de-açúcar, do milho safrinha, do algodão, das hortaliças em todo o Brasil.”

Por volta do fim da próxima semana, entretanto, Santos disse que a massa de ar seco pode começar a perder força e abrir espaço para frentes frias se moverem para dentro da região Sudeste, incluindo São Paulo.

Santos disse ainda que o tempo pode voltar a condições mais úmidas em setembro devido a influência do El Niño, que é tipicamente associado ao aquecimento da superfície do oceano no Peru e a chuvas mais pesadas no centro-sul brasileiro.

Fonte: Novacana.com

Unica vê menos açúcar e mais etanol na safra 2015/2016

São Paulo – A produção de açúcar do centro-sul do país na atual temporada 2015/16 poderá ficar até 1 milhão de toneladas abaixo dos 31,8 milhões de toneladas previstos inicialmente pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), disse nesta segunda-feira o diretor-técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues.

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A queda ocorreria devido a uma maior produção de etanol, que poderá atingir 30 bilhões de litros na safra, ante 27,27 bilhões da previsão feita pela entidade em maio, afirmou Rodrigues à Reuters nos bastidores do encontro Ethanol Summit, com líderes do setor de cana-de-açúcar, em São Paulo.

A produção de açúcar pode ser menor do que o volume registrado no ano passado, quando o centro-sul produziu 32 milhões de toneladas, apesar de uma safra maior de cana neste ano projetada em 590 milhões de toneladas, contra 571,3 milhões de toneladas em 2014/15.

“Os 20 milhões de toneladas de cana adicional deste ano vão ser basicamente usados para aumentar os volumes de etanol”, afirmou Rodrigues.

A demanda do Brasil para o etanol está crescendo e chegou a 2,4 bilhões de litros em maio, igualando volumes de gasolina pela primeira vez desde 2010, já que os biocombustíveis se beneficiam com preços mais competitivos depois que o governo aumentou os impostos sobre a gasolina.

“As usinas estão sustentando um mix de produção mais pesado em etanol para atender à crescente demanda”, disse o diretor da Unica.

Segundo a Unica, até 15 de junho usinas do centro-sul alocaram 61 por cento da cana para a produção de etanol e 39 por cento para produção de açúcar.

Rodrigues disse que as chuvas continuam a atrapalhar o processamento de cana em algumas áreas, atrasando a colheita.

Ele acredita que as usinas terão que manter as operações por mais tempo do que o normal, indo até dezembro, para lidar com toda a cana disponível.

E, possivelmente, haverá cana deixada nos campos para o processamento somente na próxima safra, que então poderia começar mais cedo, disse o diretor da Unica.

O fenômeno climático El Niño deve trazer mais chuvas do que o normal para a região centro-sul neste ano. Volumes de chuva já eram maiores que a média em abril e maio.

 

Fonte: Exame.com

Usinas e produtores de cana criam campanha de prevenção a incêndios

A Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (ABAG/RP) lançará com um grupo de usinas e de associações de produtores de cana-de-açúcar uma campanha de conscientização e prevenção a incêndios nas lavouras canavieiras. Por meio de anúncios nas emissoras de rádio, televisão, jornais e revistas, além de outdoors às margens das rodovias, a campanha, a ser apresentada no próximo dia 15, buscará alertar para os riscos de incêndios, acidentais ou criminosos, neste segundo semestre, época de maior estiagem.

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Mesmo com praticamente toda a colheita da cana feita por máquinas, a região de Ribeirão Preto sofreu vários incêndios rurais no ano passado, principalmente por meio da queima da palha deixada nas lavouras pelas colhedoras. Além das lavouras, áreas de proteção no Estado sofreram danos com o fogo, entre elas a Mata de Santa Tereza, mais importante reserva de Ribeirão Preto, que teve 90 dos seus 154 hectares atingidos por incêndios no ano passado.

Além da campanha na mídia e das placas nas estradas com os telefones de emergência, a campanha liderada pela Abag/RP terá 100 mil cartilhas entregues para comunidades do entorno de usinas e em escolas da região de Ribeirão Preto. As unidades de produção ainda colocarão seus técnicos à disposição para palestras de esclarecimento e também para treinar ou ajudar a formar brigadas municipais de combate aos incêndios.

Gustavo Porto

Fonte: NovaCana

Fipe: relação entre etanol e gasolina atinge menor nível desde 2010

A relação entre o preço do etanol e o da gasolina diminuiu entre maio e junho, passando de 63,58% para 61,86%, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Trata-se do menor resultado apurado em 2015 e também o mais baixo desde abril de 2010, quando foi de 59,37%.

alcool X gasolinaEm janeiro deste ano, essa equivalência era de 66,08%. “A safra de cana-de-açúcar está ajudando a manter os preços em baixa”, disse André Chagas, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – que apura a inflação na capital paulista.

O IPC teve alta de 0,47% em junho, em relação à elevação de 0,62% em maio. No IPC do mês passado, o álcool combustível teve variação negativa de 2,28%, depois de recuar 1,34%. Já a gasolina caiu 0,18%, na comparação com uma queda mais significativa anteriormente, de 0,73%.

Segundo Chagas, a aceleração na velocidade de baixa do etanol foi um dos fatores que ajudaram a limitar a alta do grupo Transportes, que foi de 0,04% (ante 0,30%). Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder da gasolina. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque.

Fonte: NovaCana.com

Embrapa: em 26 anos, área de cana mais que dobra em São Paulo

A cana-de-açúcar tem avançado sobre áreas ocupadas pela citricultura no norte e nordeste do Estado de São Paulo, principais regiões produtoras de laranja do Brasil. Em 26 anos, a área cultivada com cana-de-açúcar mais que dobrou na região, passando de 1 milhão para 2,2 milhões de hectares. Já as terras destinadas à citricultura caíram de 488,6 mil para 281,2 mil hectares. A constatação é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade de Monitoramento por Satélite, com sede em Campinas (SP), e tem como base imagens de satélite registradas entre 1988 e 2014.

cana1O levantamento abrange 125 municípios e uma área aproximada de 52 mil km? nas bacias dos rios Mogi-Guaçu e Pardo. São Paulo é o maior produtor mundial de citros, responde por 72,7% da produção nacional e tem aproximadamente 501,8 mil hectares dedicados à cultura, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Contudo, apenas na safra 2013, 36,7 mil hectares de laranja do Estado foram eliminados. Aproximadamente 70% dessa área foi substituída por cana-de-açúcar. Nos municípios estudados, verificou-se também que as áreas produtoras se dividem essencialmente entre a cana-de-açúcar e a laranja, sem diversificação de culturas.

Em todo o Estado, 5.250 propriedades deixaram de produzir citros entre o primeiro semestre de 2012 e o fim de 2014, segundo dados da Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado (CDA). Destas, 90% são de pequeno porte, com menos de 15 mil plantas. Em Bebedouro, município que chegou a receber o título de Capital Nacional da Laranja, a área dedicada a citros passou de 40 mil hectares em 1988 para 13,2 mil hectares em 2014, segundo a Embrapa. Já a área cultivada com cana aumentou para 39,9 mil hectares, o equivalente a 60% do território do município, de 70 mil hectares.

Um dos principais motivos para a substituição de áreas de citros por canaviais é a baixa lucratividade no setor. A redução da demanda internacional por suco de laranja e a baixa remuneração ao produtor desestimularam pequenos e médios agricultores a renovar os pomares. Problemas fitossanitários com o greening, doença que surgiu há cerca de 10 anos e dificulta a condução normal da cultura, também vêm provocando perdas e elevando ainda mais o custo de produção.

“A indústria ligada à citricultura também perdeu força, fechando suas portas e encerrando as atividades no município. No caso da cana-de-açúcar, apesar da cultura ser bastante valorizada, não há usinas instaladas em Bebedouro. Houve queda na arrecadação de impostos, já que a produção é comercializada para usinas de outros municípios vizinhos”, diz em comunicado o pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, Carlos Cesar Ronquim, responsável pelo estudo.

Além de Bebedouro, foram levantadas informações com produtores rurais e representantes da indústria de suco de laranja nos municípios de Colina, Itápolis e Olímpia. Nestas localidades, grandes áreas citrícolas também foram tomadas pelos canaviais, que hoje ocupam 50% ou mais do seu território.

Diversificação
O estudo analisou, ainda, municípios em que a expansão da cana-de-açúcar vem ocorrendo de forma diferente. Em Casa Branca, Conchal, Mogi Guaçu e Mogi Mirim, microrregião mais a sudeste no Estado, a área cultivada com citros cresceu, mesmo com as dificuldades no setor. Os produtores conseguiram manter a rentabilidade recorrendo a outras estratégias de comercialização e à diversificação agrícola na propriedade.

“Quando os preços se tornam inviáveis ou há queda na demanda das indústrias, estes produtores comercializam os frutos in natura. A proximidade com grandes centros de comercialização, como as regiões metropolitanas de Campinas e São Paulo, facilita o transporte e possibilita menores custos”, explica o pesquisador da Embrapa.

O cultivo irrigado de grãos e olerícolas e os reflorestamentos comerciais, ainda presentes na microrregião, também permitiram aos proprietários rurais obter boa rentabilidade na propriedade. O pesquisador da Embrapa explica, contudo, que ainda serão necessários alguns anos para avaliar se a baixa lucratividade no setor citrícola não provocará redução de área de citros também nesses municípios.

O mapeamento realizado pela Embrapa Monitoramento por Satélite foi feito dentro do projeto CarbCana, que visa a avaliar a expansão da cana-de-açúcar no nordeste do Estado de São Paulo, uma das principais regiões produtoras do País.

Clarice Couto

Fonte: NovaCana

Relatório mundial sobre bioenergia assegura que não falta terra para produção

O centro-sul do Brasil produzirá 31,8 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2015/16, queda de 0,6 por cento ante o ciclo anterior, enquanto a produção de etanol será recorde, com um tempo mais favorável para os canaviais em relação à safra passada, previu nesta quinta-feira a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

AgenciaBrasil140512DSC_1117A produção de etanol terá aumento anual de 4,3 por cento, atingindo 27,28 bilhões de litros, superando a marca histórica da safra passada, com usinas destinando mais cana para a produção do biocombustível, mais remunerador que o adoçante, de acordo com a primeira projeção da Unica para a temporada iniciada oficialmente em 1º de abril.

canaO patamar histórico, entretanto, não espelha a grave crise pela qual passa boa parte das indústrias, afetadas por adversidades climáticas nos últimos anos, aumento de custos e elevado endividamento, que levou 67 usinas à recuperação judicial, segundo a Unica.

A moagem de cana do centro-sul, que tem respondido nos últimos anos por aproximadamente 90 por cento da produção de cana do Brasil, deverá somar 590 milhões de toneladas, alta de 3,3 por cento ante a fraca safra passada, atingida em 2014 por uma seca praticamente sem precedentes em Estados como São Paulo e Minas Gerais. O volume previsto, no entanto, ficará abaixo do recorde da safra 2013/14, de 597 milhões de toneladas.

Esse aumento da moagem ante 2014/15 decorre especialmente da expectativa de maior produtividade agrícola da lavoura a ser colhida na safra 2015/2016, devido a melhora nas condições climáticas, apesar dos baixos investimentos feitos nos canaviais por um setor, de maneira geral, abalado por problemas financeiros.

“A retração na renovação dos canaviais no último ano e o consequente envelhecimento da lavoura devem ser mascarados pelo regime hídrico mais adequado ao crescimento da planta observado no início de 2015″, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, em comunicado.

Segundo Padua, o setor precisaria reformar 1,5 milhão de hectares de canaviais por ano, o que não tem acontecido.

“Então precisaríamos de 10 bilhões de reais por ano para investir em replantio. As linhas do BNDES nunca passaram de 4 bilhões. Às vezes, não chegou à metade disso”, disse Padua a jornalistas, ressaltando que muitos canaviais estão envelhecidos.

Mesmo assim, a expectativa é de que ocorra um aumento na produtividade da lavoura neste ano, disse a Unica. Mas o número final estimado para a safra ainda vai depender do índice de precipitação dos próximos meses, ponderou Padua.

Com um endividamento crescente e uma fraca remuneração obtida com a venda de açúcar e etanol nos últimos anos, dez usinas deixarão de operar na atual temporada, totalizando 90 unidades paradas na região desde 2008, segundo o diretor.

ESTÍMULO DO CONSUMO
Do total de cana moída na safra 2015/2016, a Unica estima que 58,1 por cento deverão ser destinados à produção de etanol (e o restante para o açúcar), aumento de 1,12 ponto percentual em relação ao registrado na safra passada, com o produto hidratado tendo ficado mais competitivo em relação à gasolina após reajuste da Petrobras no final do ano passado.

“A grande mudança que houve foi que agora o governo diz que a questão de preço da gasolina é com a Petrobras. Quem determina o tamanho do mercado é o consumidor. Enquanto o etanol estiver competitivo, ele vai continuar demandado”, disse o diretor técnico.

Além disso, as cotações futuras do preço do açúcar no mercado internacional e o potencial de preço do etanol no mercado doméstico ainda indicam uma receita favorável ao biocombustível.

MOAGEM EFETIVA EM QUEDA
A moagem de cana e a produção de açúcar e etanol do centro-sul na primeira quinzena de maio da safra 2015/16 recuaram fortemente ante o mesmo período da temporada anterior, apontaram dados da Unica nesta quinta-feira.

A produção de etanol do centro-sul na primeira parte do mês somou 1,3 bilhão de litros, queda de 18,3 por cento ante mesmo período da safra 14/15. Já a produção de açúcar atingiu 1,24 milhão de toneladas, recuo de 35 por cento na comparação anual.

Isso resultou em uma queda na produção de açúcar e etanol no acumulado da safra.

A produção de açúcar do centro-sul do Brasil, maior produtor e exportador global, somou 2,85 milhões de toneladas até 15 de maio (-16,5 por cento na comparação anual), enquanto a produção de etanol atingiu 3,2 bilhões de litros (-1,7 por cento).

Segundo Padua, a redução na taxa de renovação dos canaviais reflete a difícil situação financeira observada em parcela significativa das unidades produtoras e, apesar de ter seu impacto minimizado este ano pelo clima, deverá promover uma redução na disponibilidade de cana para colheita em algum momento nas próximas safras.

Marcelo Teixeira

Fonte: Texto:
http://www.novacana.com/n/cana/safra/producao-etanol-cs-recorde-fabricacao-acucar-cai-210515/

Crise driblada pelo grupo de usinas tradicionais

Em meio a companhias que, na média, devem 10% mais do que faturam, existem no setor sucroalcooleiro usinas sucroalcooleiras de médio porte que, com administrações familiares, estão sofrendo poucos arranhões mesmo diante dos problemas que levaram ao fechamento de mais de 80 unidades no país nos últimos cinco anos. Esse grupo em melhor situação, formado por uma dezena de empresas, responde por cerca de 15% da moagem de cana no Centro­Sul, segundo estimativas do mercado, e alimenta a tese de que grande parte da crise que asfixia o segmento deriva da gestão.

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A maior parte delas está concentrada no Estado de São Paulo e tem capacidade para moer entre 5 milhões e 15 milhões de toneladas de cana por ano. Estão nesse time grupos como Lincoln Junqueira, Zilor, Bazan, Colombo e Ipiranga Agroindustrial. Cada uma delas adotou uma estratégia de sobrevivência própria, geralmente baseada ou
em um caixa elevado ou na manutenção de um baixo nível de endividamento. Mas têm em comum parcimônia para investir, o que fez a diferença após 2008, quando até usinas bem administradas se deram mal ao se expandir demais.
Todos os cargos estratégicos da Ipiranga Agroindustrial são ocupados pelos fundadores, os irmãos Tittoto. Hoje controlam três usinas, que deverão processar nesta temporada iniciada em abril (2015/16) 6,2 milhões de toneladas de cana. A gestão familiar implica a presença intensa dos sócios no dia a dia do negócio. O presidente, Leopoldo, por exemplo, trabalha das sete da manhã às sete da noite, faz plantão aos fim de semana no período de safra e lidera canaviais próprios que respondem por 75% da matéria­prima processada em suas fábricas.
“Estamos elevando a fatia para 80%. A cana é 60% do nosso custo e a nossa expertise. Meu pai era fornecedor”, diz Tittoto.
No ciclo que terminou em 31 de março deste ano (2014/15), o grupo, que controla duas empresas ­ a Usina Ipiranga (com duas unidades) e a Usina Iacanga (com uma unidade) ­ apresentou lucro líquido em ambas as operações. Com o caixa gerado, conseguiu pagar os juros da dívida e realizar todos os investimentos (renovação de canaviais, manutenção agrícola e industrial), um feito em um segmento com custos em alta constante e preços de venda achatados. O endividamento bancário líquido foi de R$ 619 milhões em 2014/15, um leve aumento ante os R$ 617 milhões da temporada 2013/14. O prazo de vencimento da dívida da Ipiranga Agroindustrial (20% no curto prazo) é considerado adequado pelo mercado.
“A gente é familiar. Fica em cima da redução de custos e tem pouca gente. Nosso custo financeiro é baixo. Nossa dívida está em crédito rural ou linha de longo prazo do BNDES “, diz Tittoto. Na recém­iniciada safra 2015/16, a empresa terá um índice de 0,48 trabalhador para cada mil toneladas de cana processadas. Há cinco anos, esse
índice era de 0,70. Em 2017, quando 100% da cana estiver sendo colhida por máquinas e a moagem do grupo tiver alcançado 7 milhões de toneladas, esse índice deve ir a 0,38.
Apesar de passar pela crise com alguns arranhões, a paulista Usina Colombo segue como referência de boa gestão no segmento. Com três unidades que processaram 8 milhões de toneladas de cana em 2014/15, o grupo sofreu mais nos últimos três anos, diz o presidente Gilberto Colombo. Como vinha de uma alavancagem muito baixa e
resultados sólidos, a empresa nunca teve problemas de liquidez, mas quando publicar seu balanço do ciclo passado, em até dois meses, apresentará uma dívida 10% maior, diz o executivo, hoje com 75 anos e filho do fundador da empresa, João Colombo.
No exercício encerrado em dezembro de 2011, a dívida líquida foi de R$ 478 milhões, para uma receita próxima de R$ 900 milhões. Em 2013, último balanço disponível, esse montante havia subido para R$ 765 milhões, para uma faturamento de R$ 1,024 bilhão. “Os preços não estão cobrindo os custos. Tivemos que recorrer a um aumento da alavancagem”, lamenta Colombo.
Apesar disso, pesa atualmente no mercado uma preocupação quanto à sucessão do negócio familiar, ainda centralizada na figura do septuagenário. Esse, no entanto, não será um problema para a perpetuidade do grupo, na visão de Colombo. “Os nossos filhos e sobrinhos estão há 20 anos dentro da empresa, assumindo áreas de maior envergadura e estão dando conta do recado”, diz o empresário.
A mesma questão se estende a outro grupo sólido do segmento: o Bazan, que detém as usinas Bazan e Bela Vista, ambas no Estado de São Paulo. Há 21 anos o cargo de diretor presidente é exercido com mãos de ferro pelo empresário Angelo José Bazan, atualmente com 63 anos. Pesa positivamente, no entanto, o fato de a empresa deter uma estratégia de manter baixos níveis de endividamento. No último balanço disponível, publicado em 2014 e referente ao exercício findo em dezembro de 2013, o grupo tinha uma dívida bancária total (curto e longo prazos) de R$ 100 milhões, para uma receita líquida de R$ 803 milhões. Todos os investimentos são feitos com o caixa da própria empresa, que preza também pela estratégia de deter terras e suprir 100% de sua demanda com canavial próprio.

Fonte: Valor Econômico

Preço dos combustíveis cai e consumo do etanol segue vantajoso em SP, diz Fipe

O preço dos combustíveis voltou a cair em maio na cidade de São Paulo e o consumo do etanol continuou vantajoso em relação à gasolina, conforme levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) por meio do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). No mês passado, o valor médio do etanol recuou 1,34% e o da gasolina apresentou baixa de 0,73%. Em abril, quando também houve declínio, as variações negativas foram de 2,70% e 0,55%, respectivamente.

biQuanto à relação entre o preço médio do derivado da cana-de-açúcar e o valor médio do derivado de petróleo, a Fipe informou que o nível médio de maio ficou em 63,58%. A marca representou não somente a menos expressiva entre os meses de 2015 como permaneceu inferior às de maio de anos anteriores.

Em abril deste ano, a relação ficou em 63,97%, depois de atingir os níveis de 65,51% em março; de 65,87% em fevereiro; e de 66,08% em janeiro. Em maio de 2014, a relação ficou em 68,50%; em 2013, em 69,95%; em 2012, ficou em 69,49%; e, em maio de 2011, em 69,51%.

Na avaliação de especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder da gasolina.

Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o coordenador do IPC, André Chagas, disse que o atual cenário favorável do etanol tem ligação com o período de safra da cana-de-açúcar. “Mas vem acontecendo uma desaceleração na queda do preço”, ressaltou, dizendo que este movimento pode ter ligação com a demanda maior que o valor mais em conta do etanol está provocando na cidade de São Paulo.

Para junho, a expectativa de Chagas é de continuidade dos preços do etanol em queda. Segundo ele, será um dos fatores para ajudar a inflação do sexto mês do ano a continuar um processo de desaceleração já visto em maio.

Flavio Leonel
Fonte: Estadão Conteúdo
Texto extraído do Jornal A Cidade

Produção de etanol do CS será recorde; fabricação de açúcar cai

O centro-sul do Brasil produzirá 31,8 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2015/16, queda de 0,6 por cento ante o ciclo anterior, enquanto a produção de etanol será recorde, com um tempo mais favorável para os canaviais em relação à safra passada, previu nesta quinta-feira a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

A produção de etanol terá aumento anual de 4,3 por cento, atingindo 27,28 bilhões de litros, superando a marca histórica da safra passada, com usinas destinando mais cana para a produção do biocombustível, mais remunerador que o adoçante, de acordo com a primeira projeção da Unica para a temporada iniciada oficialmente em 1º de abril.

canaO patamar histórico, entretanto, não espelha a grave crise pela qual passa boa parte das indústrias, afetadas por adversidades climáticas nos últimos anos, aumento de custos e elevado endividamento, que levou 67 usinas à recuperação judicial, segundo a Unica.

A moagem de cana do centro-sul, que tem respondido nos últimos anos por aproximadamente 90 por cento da produção de cana do Brasil, deverá somar 590 milhões de toneladas, alta de 3,3 por cento ante a fraca safra passada, atingida em 2014 por uma seca praticamente sem precedentes em Estados como São Paulo e Minas Gerais. O volume previsto, no entanto, ficará abaixo do recorde da safra 2013/14, de 597 milhões de toneladas.

Esse aumento da moagem ante 2014/15 decorre especialmente da expectativa de maior produtividade agrícola da lavoura a ser colhida na safra 2015/2016, devido a melhora nas condições climáticas, apesar dos baixos investimentos feitos nos canaviais por um setor, de maneira geral, abalado por problemas financeiros.

“A retração na renovação dos canaviais no último ano e o consequente envelhecimento da lavoura devem ser mascarados pelo regime hídrico mais adequado ao crescimento da planta observado no início de 2015”, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, em comunicado.

Segundo Padua, o setor precisaria reformar 1,5 milhão de hectares de canaviais por ano, o que não tem acontecido.

“Então precisaríamos de 10 bilhões de reais por ano para investir em replantio. As linhas do BNDES nunca passaram de 4 bilhões. Às vezes, não chegou à metade disso”, disse Padua a jornalistas, ressaltando que muitos canaviais estão envelhecidos.

Mesmo assim, a expectativa é de que ocorra um aumento na produtividade da lavoura neste ano, disse a Unica. Mas o número final estimado para a safra ainda vai depender do índice de precipitação dos próximos meses, ponderou Padua.

Com um endividamento crescente e uma fraca remuneração obtida com a venda de açúcar e etanol nos últimos anos, dez usinas deixarão de operar na atual temporada, totalizando 90 unidades paradas na região desde 2008, segundo o diretor.

ESTÍMULO DO CONSUMO
Do total de cana moída na safra 2015/2016, a Unica estima que 58,1 por cento deverão ser destinados à produção de etanol (e o restante para o açúcar), aumento de 1,12 ponto percentual em relação ao registrado na safra passada, com o produto hidratado tendo ficado mais competitivo em relação à gasolina após reajuste da Petrobras no final do ano passado.

“A grande mudança que houve foi que agora o governo diz que a questão de preço da gasolina é com a Petrobras. Quem determina o tamanho do mercado é o consumidor. Enquanto o etanol estiver competitivo, ele vai continuar demandado”, disse o diretor técnico.

Além disso, as cotações futuras do preço do açúcar no mercado internacional e o potencial de preço do etanol no mercado doméstico ainda indicam uma receita favorável ao biocombustível.

MOAGEM EFETIVA EM QUEDA
A moagem de cana e a produção de açúcar e etanol do centro-sul na primeira quinzena de maio da safra 2015/16 recuaram fortemente ante o mesmo período da temporada anterior, apontaram dados da Unica nesta quinta-feira.

A produção de etanol do centro-sul na primeira parte do mês somou 1,3 bilhão de litros, queda de 18,3 por cento ante mesmo período da safra 14/15. Já a produção de açúcar atingiu 1,24 milhão de toneladas, recuo de 35 por cento na comparação anual.

Isso resultou em uma queda na produção de açúcar e etanol no acumulado da safra.

A produção de açúcar do centro-sul do Brasil, maior produtor e exportador global, somou 2,85 milhões de toneladas até 15 de maio (-16,5 por cento na comparação anual), enquanto a produção de etanol atingiu 3,2 bilhões de litros (-1,7 por cento).

Segundo Padua, a redução na taxa de renovação dos canaviais reflete a difícil situação financeira observada em parcela significativa das unidades produtoras e, apesar de ter seu impacto minimizado este ano pelo clima, deverá promover uma redução na disponibilidade de cana para colheita em algum momento nas próximas safras.

Marcelo Teixeira

Fonte: Texto:
http://www.novacana.com/n/cana/safra/producao-etanol-cs-recorde-fabricacao-acucar-cai-210515/

Imagem: Jornal da Cana

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