Norma de Caracterização Química de Bagaço de Cana-de-açúcar

O IPBEN – Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Unesp, em apoio à ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, junto com outras seis instituições, participou da elaboração da Norma de caracterização química de bagaço de cana-de-açúcar. O IPBEN tem uma linha de pesquisa dedicada a conversão e caracterização de biomassa. Nesta área atua o Pesquisador Michel Brienzo, o qual participou da elaboração da Norma (ABNT NBR 16550:2016). Na caracterização de biomassa estão incluídos estudos de composição química e propriedades físico-químicas da biomassa. Tais fatores, são diretamente responsáveis pela recalcitrância, resistência na conversão da biomassa em biocombustíveis e produtos de alto valor agregado. A composição química da biomassa é um dos fatores chaves para determinar o potencial da biomassa na conversão e avaliar efeitos do processo sobre o material.

Devido à importância da padronização da metodologia de caracterização química, pesquisadores de diversas instituições como INMETRO, CTC, CTBE-CNPEM, EMBRAPA AGROENERGIA, IPEN, PETROBRAS e UNESP, representada pelo IPBEN, trabalharam em conjunto com a ABNT. A elaboração da Norma padronizada tem como objetivo trazer confiabilidade ao método de caracterização química do bagaço de cana-de-açúcar, permitindo também comparações de resultados. Deste modo, a normalização da metodologia atende a necessidade de diversos laboratórios de pesquisa que trabalham com essa biomassa, e o setor sucroalcooleiro. A definição das especificações técnicas da Norma de caracterização química do bagaço de cana-de-açúcar levou em consideração as diferentes metodologias disponíveis na literatura, compilando os critérios mais relevantes e os unificando em uma metodologia padronizada.

A Norma ABNT NBR 16550:2016 está disponível no site http://www.abnt.org.br. Baseado na norma elaborada, o IPBEN lançará prestação de serviços em caracterização química de bagaço de cana-de-açúcar.

Fonte: Cana online

Usina não pode terceirizar colheita e plantio de cana-de-açúcar

Uma usina de cana-de-açúcar não pode terceirizar os serviços de plantio, colheita e manutenção do insumo, pois são atividades-fim da empresa. Com esse entendimento, a Vara do Trabalho de Taquaritinga (SP) condenou uma usina a não terceirizar essas funções, sob pena de multa de R$ 20 mil, acrescida de R$ 1 mil por empregado encontrado em situação irregular. Cabe recurso da decisão.

Para a reparação dos danos morais coletivos, a empresa foi condenada ao pagamento de R$ 500 mil em benefício de projetos, iniciativas ou campanhas em benefício de trabalhadores abrangidos pela circunscrição da Vara do Trabalho de Taquaritinga, a serem indicados pelo Ministério Público do Trabalho.

A ação civil pública, ajuizada pelo procurador Rafael de Araújo Gomes, de Araraquara, denunciou a fraude cometida pela usina, que contrata pequenos produtores para o plantio e trato cultural da cana, consideradas atividades finais da empresa, cuja terceirização é vedada na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho.

A obrigação de encerrar a terceirização deve ser cumprida no prazo de 90 dias, a partir da intimação da ré. “O que se percebe, seja pelas provas enunciadas em específico e pelos demais documentos acostados aos autos, é que a Ré passou a terceirizar o plantio e cultivo de sua principal matéria-prima, a cana-de-açúcar, para pessoas chamadas de “vendedores” ou “fornecedores”, em operação iterativamente considerada como fraudulenta por este juízo de Taquaritinga, conforme depoimentos testemunhais feitos nos referidos processos e trazidos aos presentes autos”, escreveu na decisão a juíza Paula Rodrigues de Araújo Lenza. Com informações da Assessoria de Imprensa do MPT-15. 

Processo 0010985-89.2016.5.15.0142

Fonte: Portal Conjur

Preparo do solo e plantio da cana-de-açúcar em debate

Cerca de 129 Técnicos de usinas de cana-de-açúcar da região Sul de Mato Grosso do Sul compareceram, na terça, 7 de março, no primeiro seminário agrícola do ano de 2017, intitulado “Preparo do solo e plantio da cana-de-açúcar”. Este seminário foi o primeiro de cinco que acontecerão durante o ano de 2017 e faz parte da programação do 3º Ciclo de Seminários Agrícolas O seminário, realizado pela Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul (Biosul) e Embrapa Agropecuária Oeste, aconteceu no auditório da Embrapa, das 8h30 às 17 horas. A organização do evento foi da TCH Gestão Agrícola.

O presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho falou sobre as “Perspectivas para o Setor Sucroenergético”. Ele falou da importância do Biocombustíveis 2030, um plano nacional do Ministério de Minas e Energia, voltado para o desenvolvimento do setor de biocombustíveis, que será realizado em parceria com o setor sucroenergético nacional. “O objetivo é dobrar a produção brasileira de etanol, aumentando 20 bilhões de litros por safra, até 2030. Atualmente, o Brasil produz, em média, cerca de 30 bilhões de litros de etanol por safra”, disse Hollanda. Ele destacou ainda que a Biosul é umas das empresas que está participando da elaboração do Renova Bio. “A parceria com a Embrapa é fundamental para viabilizar resultados práticos que possam ser aplicadas pelas usinas”, finalizou ele.

O Chefe Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus, ressaltou que um dos temas prioritários da Unidade é a agroenergia. “Trazer as demandas do setor de forma organizada para a pesquisa, por meio dessa parceria, é uma das iniciativas que tem possibilitado resultados positivos para todo o seguimento sucroenérgetico. “Esse seminário, é o primeiro da série planejada para 2017. Hoje, na Embrapa Agropecuária Oeste temos muitas pesquisas e atividades de transferência de tecnologia voltados para esse setor”, disse ele.

O diretor agrícola da Usina Laguna, de Baytaporã, Werner Semmelroth, disse que os seminários são muito técnicos e sempre possibilitam melhorias nos aspectos relacionados aos tratos culturais, manejo, melhorias do solo, controle de pragas e doenças. “As sugestões dos seminários têm possibilitado muitas melhorias para nosso trabalho, além de favorecer as trocas de informações informais. A Embrapa tem um corpo técnico muito bom, que conhece muito sobre diversos assuntos agrícolas de nossa região. A experiência da Embrapa tem nos ajudado bastante”, destacou Werner.

Com informações compiladas do aspecto climático, a partir de dados de diversos institutos nacionais e internacionais que realizam previsão do tempo, o pesquisador Claudio Lazzarotto apresentou as probabilidades e disponibilidade de chuvas para o outono. “Nos meses de março e abril, início das colheitas e plantio, as chuvas devem ser frequentes, porém com distribuição irregular”, disse ele.
Já o pesquisador Carlos Ricardo Fietz, da Embrapa Agropecuária Oeste, falou sobre fatores de risco climático para a cultura da cana-de-açúcar. Ele destacou que em Mato Grosso do Sul, além da quantidade das chuvas, sua distribuição é muito importante. Ele disse ainda que o plantio da cana-de-açúcar no inverno é de alto risco climático na região sul de Mato Grosso do Sul. O motivo é que os meses de junho, julho e agosto são os mais frios e com menos chuvas no ano.

Fietz também falou sobre os plantios de cana-de-açúcar de ano e meio, que devem ser realizados preferencialmente entre dezembro e abril. “Com condições de umidade e temperatura do solo mais favoráveis, a brotação, emergência e estabelecimento dos canaviais é favorecida, diminuindo a quantidade de mudas por área e resultando em plantios com menor números de falhas”, explicou ele.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Cesar José da Silva, salientou a importância dos plantios serem realizados preferencialmente no período recomendado pel zoneamento de risco climático para a cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul, que estabelece o plantio de outubro a abril.

Plantios fora deste período devem vir acompanhados de planejamento e utilização de técnicas agronômicas que auxiliam na redução dos efeitos negativos das condições agroclimáticas desfavoráveis, especialmente a baixa disponibilidade de água e temperaturas baixas do solo, que podem causar perdas significativas de produtividade. Para estas situações os plantios de inverno em áreas devem ser priorizados nas aréas onde é possível realizar a utilização de torta de filtro no sulco de plantio e a fertirrigação.

José Luís Coelho, da Antoniosi, falou das tendências e desafios do plantio mecanizado da cana-de-açúcar com plantadoras automatizadas. Henry Violin, da Adama, apresentou o fluensulfone, uma nova ferramenta para manejo de nematoides. José Carlos Rufato, da Syngenta, apresentou as novas tecnologias da empresa para o plantio de cana-de-açúcar. O consultor Luiz Romeu Voss falou de preparo de solo canteirizado. Ao final foi feito um debate, conduzido pelo gerente agrícola da Usina Passatempo (Biosev) Leandro Duarte.

 

Christiane Congro Comas
Fonte: Grupo Cultivar

 

Setor sucroenergético brasileiro retoma crescimento em 2017

cana de açúcarO setor sucroenergético brasileiro deve se recuperar e retomar seu crescimento em 2017. Indicativos do mercado do açúcar apontam que o preço do composto deve se manter em alta como aconteceu em 2016. “É um produto de grande demanda em todo o planeta, ainda mais com o crescimento da população”, afirma o professor Octávio Valsechi, docente do Departamento de Tecnologia Agroindustrial e Socioeconomia Rural (DTAiSER) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O mercado do álcool também está em alta. A Cúpula do Clima de Paris (COP 21) aprovou em 2015 o primeiro acordo de extensão global para frear as emissões de gases do efeito estufa e para lidar com os impactos da mudança climática. Ou seja, todos os países terão que usar combustíveis renováveis e o álcool é o melhor exemplo na substituição de combustíveis fósseis, como a gasolina. “Pessoas do mundo inteiro vêm para o Brasil estudar o que nós fizemos. Esse compromisso de diminuir as emissões é um grande impulso para a valorização do álcool e uma fantástica vitrine para o país. É uma nova fase para o setor, que deve ser encarada com uma nova mentalidade”, acredita Valsechi.

Para o docente da UFSCar, o que está salvando o Brasil da crise é o setor agropecuário, com destaque para a cana-de-açúcar que está sempre no topo dos produtos que mais arrecadam impostos. Só no agronegócio do Estado de São Paulo, atualmente, a cana representa a metade do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma em valores monetários de todos os bens e serviços finais produzidos.

Com a valorização dos produtos da cana, uma parte maior do setor estará, neste ano, com o caixa mais equilibrado, o que permitirá mais investimentos e a contratação de novos profissionais. Um dos reflexos diretos do indicativo dessa retomada é o alto número de procura pela 13ª turma do programa de Master of Technology Administration (MTA) em Gestão Industrial Sucroenergética, oferecido pela UFSCar, instituição que, hoje em dia, detém a expertise da tecnologia da produção de cana de açúcar no mundo, contribuindo com a consolidação do etanol no Brasil.

A pós-graduação, que está completando 10 anos, é referência na área. Durante o curso, são abordados desde o manejo e o desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar, passando pelo mercado industrial, até o desenvolvimento de projetos e inovação. “As pessoas estão tendo consciência que uma melhor qualificação oferece maiores chances de boas posições no mercado de trabalho”, afirma Valsechi, que também é coordenador do curso.

Os interessados podem se inscrever até o dia 9 de março, preenchendo a ficha de inscrição disponível emwww.mta.ufscar.br. O formulário deve ser enviado junto com o Curriculum Vitae para o e-mail mta@cca.ufscar.br. Há poucas vagas disponíveis. A seleção dos candidatos será feita por meio de análise curricular. As aulas serão ministradas em Sertãozinho (SP), nas dependências da Universidade Corporativa do Setor Sucroenergético (Uniceise), em encontros quinzenais, que ocorrem aos sábados. O curso, com duração de 1 ano e 8 meses, tem a parceria do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-BR) e a gestão da FAI.UFSCar (Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos).

Fonte: Cultivar

Estudo tenta viabilizar palha da cana sem queima para geração de energia elétrica

Os responsáveis pelo levantamento querem provar que este procedimento é mais limpo do que a biomassa, que é a mistura da palha com o bagaço da cana.

A estimativa é que a produção energética possa aumentar em sete vezes com o uso da palha sem queima.

“Se a gente pegasse hoje toda a palha no centro sul do país e colocasse para queimar, isso corresponderia aproximadamente uma Itaipu [usina hidrelétrica binacional que produziu 8,74 milhões de MWh em janeiro]”, disse Gonçalo Pereira, pesquisador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), do Cento Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM).

De acordo com os especialistas, as usinas paulistas tentam há 20 anos utilizar a palha, mas não tem equipamentos adequados e nem o conhecimento logístico para por em prática.

“A palha é uma espécie de sol no estado sólido. Então, além de você desperdiçar e deixar a palha no campo tem a possibilidade de insetos e fungos se alojarem na palha. E ao longo do tempo, ela acaba virando CO2 e outros gases do efeito estufa. Deixar a palha no campo é péssimo para o meio ambiente”, completa o pesquisador Gonçalo Pereira.

Os especialistas lembram ainda que a palha é importante para a qualidade do solo, e não pode ser retirada totalmente. O estudo leva em conta ainda qual é o equilíbrio ideal.

Palha da cana de açúcar sem queima no laboratório de Campinas (Foto: Reprodução EPTV)

Palha da cana de açúcar sem queima no laboratório de Campinas (Foto: Reprodução EPTV)

“Pelo menos sete toneladas de massa seca de palha por hectare devem ser mantidas todo ano no campo para manter o equilíbrio”, ressalta o pesquisador do CTBE João Carvalho.

O próximo passo da pesquisa do CTBE é identificar como transportar a palha sem contaminá-la.

Fonte: Portal G1

Primeira fábrica que produz papel a partir da palha da cana é inaugurada em SP

palhaO Grupo Cem inaugurou no último dia 3 a primeira fábrica de papel produzido a partir da palha da cana-de-açúcar do mundo. Localizada em Lençóis Paulista, a FibraResist demandou investimento de R$ 25 milhões e tem capacidade para produzir até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano, com previsão de atingir esse volume no médio prazo.

A escolha do município no Estado de São Paulo para as instalações ocorreu por causa da grande quantidade de matéria-prima na região, com forte atividade canavieira.

De acordo com nota da Secretaria da Agricultura, o primeiro acordo de fornecimento de cana já está acertado com a Coopercitrus Cooperativa de Produtores Rurais para a colheita e transporte da matéria prima proveniente do campo.

“O valor pago na venda da palha é revertido em benefícios aos produtores por meio de produtos e serviços da Coopercitrus, como fertilizantes, defensivos agrícolas, utilização da oficina mecânica, entre outras facilidades”, explica Fernando Degobbi, diretor financeiro da cooperativa. Cada hectare é capaz de produzir até 16 toneladas do subproduto. Isso significa que um produtor médio, com 100 hectares, consegue gerar até 1.600 toneladas de palha de cana-de-açúcar.

A produção inicial, que será de 25% do total da capacidade produtiva da FibraResist, está sendo negociada com empresas que produzem diversos tipos de embalagens e também papel kraft e tissue (como papel higiênico e papel toalha).

Com informações adicionais do Jornal da Cidade

Fonte: Isto é e o portal Bonde

Pesquisa da UFSCar transforma resíduo da queima do bagaço da cana em areia para construção civil

O bagaço é um dos principais resíduos do processamento da cana-de-açúcar; é um poluente ambiental quando descartado de modo inadequado na terra ou próximo a rios. Uma das maneiras mais comuns de reuso deste material é a queima em caldeiras, gerando energia para a própria usina. Porém, essa queima gera um outro resíduo, conhecido como areia da cinza do bagaço de cana-de-açúcar (ACBC). Por não possuir nutrientes, esse resíduo também configura um sério problema ambiental. A estimativa é que cerca de 4 milhões de toneladas de ACBC são descartados anualmente pelas usinas no Brasil.

Cana

Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um estudo que obteve duas importantes inovações: a simplificação do processo de transformação do bagaço em ACBC e o uso dela na construção civil, substituindo parcialmente a areia retirada do meio ambiente para a produção de concreto.
Um dos reusos para a areia da cinza do bagaço de cana-de-açúcar pesquisado atualmente é a transformação deste material em cimento. Porém, este processo implica em longos períodos de moagem e altas temperaturas para queima (calcinação), o que o torna demorado e de alto custo.

Na pesquisa da UFSCar, foi utilizado um processo simples e de menor custo. Nele, a ACBC passa por uma etapa de peneiramento, que pode ser manual, e uma moagem de apenas três minutos visando a padronização granulométrica das partículas, ou seja, para que elas fiquem com tamanho próximo ao da areia natural. Outro resultado é que este processo transformou a ACBC em areia que pode ser utilizada na construção civil, especificamente na composição de concretos, vigas, entre outros materiais. A areia resultante deste processo pode substituir em até 30% a areia retirada da natureza, o que significa a redução do uso da areia natural e, consequentemente, a diminuição do impacto ambiental.

Outras vantagens da areia resultante da ACBC em relação à areia natural estão na composição química e na granulometria (tamanho dos grãos de areia).

Por ser mais fina, a nova areia permite “fechar” os pequenos poros (abaixo de 150 micrômetros), o que diminui a porosidade do concreto quando comparado ao concreto convencional, resultando em uma maior durabilidade do produto. “Com menos poros e menos vazios, menor é a possibilidade de degradação do material”, explica Fernando do Couto Rosa Almeida, mestre em Estruturas e Construção Civil pela UFSCar e responsável pelos estudos. Testes também mostraram maior resistência do concreto em “ataques” de cloretos em armaduras (ferros de construção).

A pesquisa foi descrita no artigo “Sugarcane Bagasse ash sand (SBAS): Brazilian Agroindustrial by-product for use in mortar”, de autoria de Almeida, e publicado no periódico Construction Building Material. O trabalho foi o vencedor do Prêmio Capes-Natura Campus de Excelência em Pesquisa 2015, no tema Sustentabilidade: novos materiais e tecnologias. A pesquisa de mestrado, que serviu como base para o artigo, foi orientada por Almir Sales, docente do Departamento de Engenharia Civil (DECiv) da UFSCar, e realizada no âmbito do Grupo de Estudos em Sustentabilidade e Ecoeficiência em Construção Civil e Urbana (GESEC), liderado por Sales, e que estuda esta temática há 10 anos.

Fonte: Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
Imagem: Portal da Usina

Cana é água

O Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo, produzindo mais de 20% do açúcar consumido mundialmente e exporta metade de toda a matéria consumida globalmente.

Por mais que 2016 tenha sido um ano de muitas complicações, tais empecilhos não influenciaram na produção açucareira nacional. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deverá encerrar o ano tendo exportado cerca de 27.120 mil toneladas, estimando-se um crescimento de 11,35%.

acucarPor mais que os números sejam animadores, a cana tem potencial genético para produzir aproximadamente 50 toneladas de açúcar por hectare somando 1.000 sacos, mas infelizmente a média nacional é de 09 toneladas na mesma área, totalizando 180 sacos. Este número representa menos de 20% do potencial genético da planta.

A cana é composta por ¾ de líquidos. O restante são as matérias primas utilizadas pela usina. Cana é água. Sendo assim, o déficit hídrico é um dos maiores responsáveis no que diz respeito à impedância do canavial em alcançar altos rendimentos. Tal cenário fez com que o mercado projetasse estratégias para atingir níveis de rendimento mais adequados, principalmente em regiões em que o fornecimento de água é mais restrito.

Visando ajudar no aumento da produtividade, a Netafim desafiou o mercado e foi pioneira no desenvolvimento da irrigação por gotejamento para a cultura. A primeira do mundo em irrigação subterrânea em todo o mundo. Esta prática, além de sustentável, garante que os produtores que adotam essa medida tenham o rendimento anual de sua lavoura duplicado ou até mesmo triplicado.

Exemplificando esses dados, imagine uma usina que decida instalar um projeto de gotejamento em dois mil hectares e que a produtividade de cada um deles chegue a 115 toneladas. O aumento da moagem alcançará 60 mil toneladas de cana por safra e a área de replantio anual terá uma redução de 800 hectares.

Somados, todos os benefícios do gotejamento totalizam, entre a redução e o aumento de produção, no período de 10 anos, um ganho de R$ 50.000.000 no fluxo de caixa da usina. Isso começa ocorrer a partir do terceiro ano de operação.

Inovar no campo é nossa missão. Por este motivo, oferecer uma solução capaz de evitar desperdícios de recursos naturais e escassos é essencial. No cenário em que a sustentabilidade é a palavra de ordem, o gotejamento é capaz de produzir mais com menos, atendendo as necessidades da planta e do planeta. Avante, produtor, juntos podemos fazer sempre mais.

Por Daniel Pedroso, Engenheiro Agrônomo formado pela ESALQ/USP; Coordenador Agronômico e Especialista em Cana de Açúcar da Netafim.

Fonte: Portal do Agronegócio
Imagem: Melhor com saúde

Produção de cana-de-açúcar deve aumentar 4,4%

Em relação à safra passada, produção deverá chegar a 694,54 milhões de toneladas, frente a 665,5 milhões da safra 2015/2016

A produção de cana-de-açúcar deverá chegar a 694,54 milhões de toneladas. Um crescimento de 4,4% em relação à safra anterior, que foi de 665,59 milhões de toneladas. Os números fazem parte do 3º Levantamento da Safra 2016/2017, divulgado em 20 de dezembro, pela pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

cana_de_acucarDe acordo com o levantamento, a área a ser colhida está estimada em 9,1 milhões hectares, aumento de 5,3% se comparada com a safra 2015/16, que foi de 8,6 milhões de hectares.

A produção de açúcar deverá atingir 39,8 milhões de toneladas, 18,9% superior à safra 2015/16, que foi de 33,5 milhões de toneladas. Já a produção de etanol deve recuar 8,5% em relação à safra anterior, de 30,5 bilhões de litros, ficando em 27,9 bilhões de litros. A tendência se deve a maior rentabilidade do açúcar.

No caso do etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina, sua produção deverá ter um aumento de 1,5%, alcançando 11,4 bilhões de litros, impulsionado pelo aumento do consumo de gasolina em detrimento ao etanol hidratado.

Na safra anterior, essa quantidade foi de 11,2 bilhões de litros. O etanol hidratado deverá atingir a produção de 16,5 bilhões de litros, redução de 14,3% ou 2,8 bilhões de litros, comparado à safra passada, que foi de 19,2 bilhões de litros, resultado do menor consumo desse combustível.

Regiões

No Sudeste, deverá haver um aumento da área. As chuvas atrasaram a colheita da safra anterior e houve o aumento da quantidade de cana bisada para a atual safra, refletindo num aumento de 7,1% na produção total. As produtividades foram excelentes na safra anterior, e as expectativas também são boas para esta safra.

O Centro-Oeste também deverá apresentar um aumento de área colhida em relação à safra passada. Nesta região também houve produtividades muito favoráveis na safra anterior. Entretanto, nesta safra, as chuvas foram reduzidas, o que deve impactar numa redução de produtividade na ordem de 9,5% e recuo de 3,9% na produção.

No Nordeste, deve haver diminuição da área colhida nessa safra e aumento de produtividade. Isso se deve, entre outras coisas, a uma recuperação em relação ao déficit hídrico na safra passada.

A Região Sul apresenta maior aumento percentual de área no País. O Paraná deve colher, nesta safra, a cana bisada, que é a que sobrou da safra anterior.

E na Região Norte, responsável por menos de 1% da produção nacional, a área cultivada aumentou, a exemplo dos últimos anos. Apesar disso, a produtividade teve redução, nesta safra, em face das más condições climáticas para o desenvolvimento do canavial.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Conab

5% do abastecimento de energia brasileiro vem dos moinhos de cana-de-açúcar

Uma das vantagens de produzir açúcar e etanol da cana-de-açúcar é que a cana pode ser utilizada para fornecer energia para os moinhos. Muitos moinhos de açúcar e de etanol no Brasil queimam o resíduo da cana para gerar a energia necessária para funcionar. Aqueles que produzem mais eletricidade do que consumem então vendem a energia excedente. Assim, no Brasil, 5% da energia consumida é proveniente da eletricidade excedente gerada por estes moinhos.

cana11.jpgO Brasil tem, aproximadamente, um total de 370 moinhos que produzem açúcar e etanol. Cerca de 180 desses moinhos geram energia excedente suficiente para abastecer 10 milhões de casas. A energia é considerada limpa e renovável e o setor de cana-de-açúcar pretende produzir mais. Estima-se que a eletricidade proveniente da cana poderá crescer mais 6% até a próxima década.

Uma das formas de aumentar a produção de energia proveniente da cana é coletar e queimar as folhas e os resíduos que são deixados no campo depois da colheita. Só queimando as folhas, a produção de energia poderia ser aumentada em 1/3.

Como a colheita da cana corresponde à temperatura de maior seca no Brasil, este fator é importante para evitar as falhas no abastecimento de energia, uma vez que a maior parte do país é abastecido com as hidrelétricas e os níveis mais baixos de água no reservatório.

Minas Gerais está na frente dos outros estados quando o assunto é produção de energia por meio da cana-de-açúcar. O estado possui 35 moinhos, sendo que 22 produzem energia excedente, com outros 2 também previstos para produzir em 2017.

Escrito pela Izadora Pimenta