Biomassa é oportunidade para energia renovável e indústria química no País

A produção agrícola e florestal tem papel de destaque na fatia de renováveis da matriz energética brasileira, uma das mais limpas do mundo. Da energia hidráulica vem 64% do que consumimos em eletricidade. Quando se considera, contudo, toda a energia utilizada no País, quem fica com o primeiro lugar entre as fontes renováveis é a cana-de-açúcar. Lenha e carvão vegetal, outras biomassas importantes, ocupam a terceira posição, logo depois das hidrelétricas.

O papel atual e futuro da biomassa para o fornecimento de energia e para a bioeconomia é o tema da apresentação do chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville, no Congresso Internacional de Energias Renováveis e Sustentabilidade (Ciers), que acontece hoje, em Brasília/DF.

A cana-de-açúcar é destaque porque dá origem ao etanol e ainda gera energia para movimentar as usinas e excedente para a rede. Esse setor, contudo, está no limite da capacidade de produção, enquanto não houver novos investimentos, aponta Capdeville. Em contrapartida, ainda há capacidade ociosa nas usinas de biodiesel, biocombustível atualmente misturado ao diesel na proporção de 8%.

Para o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, o País tem na biomassa uma oportunidade tanto para aumentar a já significativa participação de renováveis em sua matriz energética quanto para equilibrar a balança comercial da indústria química, que tem mais de US$ 30 bilhões de déficit anualmente. No centro de pesquisa, os pesquisadores estão desenvolvendo tecnologias para o aproveitamento total da biomassa (caldos, óleos, bagaços, folhas, resíduos do processamento, etc), gerando não só biocombustíveis, mas também produtos químicos e biomateriais.

Fonte: Canal Bioenergia

Começa a colheita de cana no centro-sul do país

No centro-oeste paulista, expectativa é de queda na produção, pode passar dos 10%.Falta de investimento e canaviais velhos são os problemas.

A safra está só começando, ainda há muito trabalho pela frente na propriedade do seu Arnaldo, em Jaú, no centro oeste de São Paulo.
São 1.500 hectares de cana de açúcar que devem produzir 85 mil toneladas. É uma produção considerável, mas bem a abaixo do que ele esperava – 15% a menos em comparação com a safra passada.

Segundo o presidente da Orplana – organização que representa 17 mil plantadores de cana da região centro sul do Brasil, o crédito escasso e o envelhecimento dos canaviais estão entre os motivos para uma safra menor.

Queda no campo e também nas usinas. Segundo levantamento da UNICA – União da Indústria de Cana de Açúcar -, nessa safra, as usinas da região centro sul do país devem moer quase 600 milhões de toneladas. São 20 milhões a menos em comparação com a safra passada – 47% da produção dessa safra será destinada a produção de açúcar e 53% para o etanol.

Fonte: Globo Rural

Produtores investem em técnicas para reduzir custos em canaviais de SP

Uso de mudas pré-brotadas e da meiosi também têm feito aumentar a produtividade dos cultivos de cana-de-açúcar no estado.

Uma nova maneira de plantar a cana-de-açúcar está reduzindo o custo e aumentando a produtividade da lavoura. Agricultores e cientistas de São Paulo, estado que mais produz cana no Brasil, falaram sobre a novidade.

Fonte: Globo Rural

Cana de açúcar no Brasil é uma atividade que engloba centenas de usinas, milhares de agricultores e trabalhadores e um cultivo que se espalha por 8 milhões de hectares. Para manter essa engrenagem funcionando, todos os anos uma parte dos canaviais brasileiros tem que ser replantada. Isso ocorre porque um cultivo costuma ter boa produtividade durante cinco safras. Depois, a produção tende a cair. É a hora de fazer a chamada reforma ou replantio do canavial.

O replantio da cana-de-açúcar pode ser feito de várias maneiras. Atualmente, o método mais comum é uma operação grandiosa. Um trabalho que envolve máquinas pesadas, tratores, transbordos. Tudo para fazer o transporte e replantio da cana-de-açúcar nas áreas que precisam de reforma.

Na fazenda no munícipio paulista de Motuca o trabalho é feito com plantadeiras, que despejam nos sulcos as mudas, também chamadas de rebolos ou colmos. São pedaços de cana que vão brotar no solo para dar origem a um novo cultivo.
O problema é que o trabalho mecanizado acaba ficando caro, principalmente para os agricultores médios e pequenos. Outro ponto negativo é que as mudas de cana ficam passando de uma máquina para outra sacudindo e batendo, o que reduz a taxa de brotação.
Como menos brotação, os produtores acabam usando uma grande quantidade de mudas por hectare. O que torna a operação ainda mais trabalhosa e cara.

Nos últimos anos, o custo alto da reforma se somou a um momento delicado: a cadeia da cana enfrentou uma crise, com preços baixos, clima desfavorável e endividamento. Com menos dinheiro, agricultores e usinas reduziram o ritmo do replantio.
“Nós ficamos aí com índice de renovação de 12% a 13% nas últimas duas safras. O ideal seria uma reforma de 18% da área colhida anualmente para ter um bom canavial, um canavial equilibrado”, diz o economista Antônio de Pádua Rodrigues.
De uns meses para cá, com a melhoria dos preços do açúcar, a reforma dos canaviais voltou a crescer, mas permanece abaixo da taxa ideal de 18%.

Foi justamente o cenário de crise dos últimos anos que acabou dando impulso para uma nova maneira de replantar os canaviais. O objetivo é reduzir custos e melhorar a eficiência da reforma.

Um dos pilares da mudança é a muda pré-brotada de cana ou MPB. A unidade do Instituto Agronômico de Campinas – IAC em Ribeirão Preto é referência nesse tipo de tecnologia. O agrônomo Marcos landell explicou que a grande mudança é abandonar o plantio baseado em toneladas de colmos e passar a plantar cana com espaçamento preciso, muda por muda.

A produção da MPB não é complicada. No IAC, o primeiro cuidado é obter colmos de qualidade, vindos de cultivos livres doenças. No viveiro, eles são cortados em pedaços pequenos, com apenas uma gema; recebem um tratamento anti-fungos e depois vão para a bandeja para o cultivo em substrato. Tratadas com todo o cuidado, as mudas brotam e crescem rapidamente. Em dois meses estão prontas para o plantio no campo.

As mudas pré-brotadas podem ser usadas no plantio de talhões inteiros de cana. Mas na prática a MPB tem sido mais usada num manejo diferente, chamado meiosi. Um método de replantio dos canaviais que surgiu nos anos 1990 na Universidade Estadual Paulista – Unesp, em Jabotical. Mas só nos últimos começou a ser mais usado por agricultores, principalmente em São Paulo.
O agrônomo Igor Pizzo é diretor técnico da Coplana, cooperativa do norte do estado que abriga 1,2 mil fornecedores de cana e vem estimulando o uso de meiosi em parceira com o IAC. “Meiosi é método inter-rotacional ocorrendo simultaneamente. O objetivo geral é a gente formar o viveiro de mudas dentro da própria área de renovação”, diz.

O método funciona da seguinte maneira: em uma área que será reformada, logo após a colheita, pelos meses de setembro e outubro, os agricultores preparam o terreno e plantam linhas de mudas pré-brotadas. O espaçamento é de 15 metros entre as linhas e 60 centímetros entre plantas. São essas mudas que, mais a frente, vão ser usadas para o replantio de toda a área. No restante do terreno, os agricultores semeiam leguminosas, como soja e amendoim.

Atualmente, esse modelo está sendo utilizado por 32 cooperados da Coplana, como Rogério Bonaccorsi. Ele tem 400 hectares de canaviais no município paulista de Luiz Antônio. Com orientação da cooperativa e do IAC, o agricultor passou a produzir as suas próprias mudas pré-brotadas e formou áreas de meiosi com cana e amendoim.

Segundo Rogério, a primeira vantagem da meiosi é que a cobertura com amendoim aumenta a umidade do solo e protege o terreno contra erosão. Outro benefício de plantar amendoim ou soja nas áreas de reforma é quebrar o ciclo doenças e pragas da cana, como o nematoide.

Seis meses depois do plantio da cana e quatro meses depois do plantio do amendoim, a área de meiosi está com as linhas de cana altas e bem formadas. E o amendoim está verde e forrando bem o solo. Nessa fase começa a colheita.

A colheita do amendoim ocorre entre fevereiro e março e tem duas etapas. Primeiro, esse o implemento arranca as plantas e revira o amendoim que estava embaixo da terra. Depois, outros equipamentos terminam a colheita e despejam o produto em caminhões. Todo o trabalho é feito por empreiteiros que arrendam as terras de Rogério. Eles cuidam do amendoim, desde o plantio até a venda final, e pagam um preço fixo de R$ 1 mil por hectare.

Terminada a colheita, a área que antes estava coberta com amendoim começa a receber a cana-de-açúcar. É a repicagem da cana, etapa final da renovação feita com meiosi.

A fazenda de um cooperado da Coplana em Jaboticabal começou a usar meiosi em 2012. O agrônomo Ismael Perina Júnior cultiva 580 hectares na propriedade. Na área em que o amendoim foi colhido há três dias a repicagem está sendo realizada por oito funcionários da própria fazenda. Eles cortam a cana das fileiras, plantadas com mudas pré-brotadas, e depois levam os colmos para os sulcos. Eles não ficam empilhados, como no plantio convencional, mas alinhados um a após o outro.

“A grande vantagem é que eu utilizo muito menos muda por hectare do que sistema convencional. Então, eu saio do uso de 20 toneladas para algo em torno de 4 a 4,5 toneladas por hectare”, diz o agrônomo.

Essa redução ocorre porque na meiosi a cana usada no plantio foi produzida a partir de mudas pré-brotadas. Um material uniforme, jovem e que, crescendo na própria área, não passa por transbordos ou máquinas pesadas, não sofrendo com batidas e ferimentos típicos do plantio convencional. Por tudo isso, os colmos têm grande capacidade de brotação.

Mas afinal, quanto custa fazer a reforma com MPB e meosi? Os valores variam de uma fazenda para outra. Enquanto o replantio convencional fica por cerca de R$ 7,5 mil o hectare, no caso da fazenda de Ismael, a reforma teve um custo médio R$ 4,8 mil por hectare. Isso já incluindo os gastos com mão-de-obra, insumos, mudas pré-brotadas – que ele compra de uma empresa privada – e a renda obtida com amendoim. Houve redução de 36%.

Além de conquistar fornecedores de cana, aos poucos, MPB e meiosi também estão sendo adotadas por algumas usinas de cana de São Paulo. Os pesquisadores do IAC avaliam que as tecnologias devem continuar ganhando espaço nos próximos anos em todo Brasil.
Os agricultores e cientistas ouvidos na reportagem afirmam que os canaviais formados por meiosi são mais vigorosos e produtivos, mas ainda vai precisar de mais tempo de pesquisa para saber qual é o real ganho médio de produtividade provocado por esse modelo de cultivo.

Fonte: Globo Rural

Importador deverá manter estoque mínimo de biocombustível, define governo

Embora fale sobre biocombustíveis de um modo geral, resolução do Conselho Nacional de Política Energética atinge diretamente o mercado de etanol anidro (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

Importadores de biocombustíveis terão que atender as mesmas regras de estoques e atendimento ao mercado que os demais agentes no Brasil. É o que define uma resolução aprovada na última semana pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ligado ao Ministério de Minas e Energia (MME).Para entrar em vigor, a norma ainda depende da assinatura do presidente Michel Temer e da publicação. Depois, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a quem cabe regular o mercado nacional, deve estabelecer como será a aplicação das regras. Esse trâmite não tem prazo, de acordo com Departamento de Biocombustíveis do Ministério.“Agentes regulados que exercerem a atividade de importação de biocombustíveis deverão atender às mesmas obrigações de manutenção de estoques mínimos e de comprovação de capacidade para atendimento ao mercado exigidas dos produtores de biocombustíveis instalados no país”, diz o comunicado, divulgado no último dia 11 de abril.

Embora o Ministério de Minas e Energia mencione biocombustíveis, de um modo geral, a decisão do CNPE atinge diretamente o mercado de etanol anidro. Foi adotada, aliás, em meio a um forte aumento nas importações do combustível.

De acordo com o sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura (Mapa), o Brasil importou 103,9 milhões de litros de etanol anidro de janeiro a dezembro de 2013. Em 2016, o volume saltou para 657,2 milhões. Neste ano, só no primeiro trimestre, a compra de etanol de outros países somou 580,1 milhões de litros.

A maior parte do que o Brasil importa vem dos Estados Unidos, cuja matriz de produção do combustível é o milho. Só em 2016, os norte-americanos venderam 655,3 milhões de litros, quase tudo o que foi comprado de fora pelo mercado brasileiro no período.

O diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, explica que a medida visa igualar as condições de competição. Segundo ele, o fato dos importadores não estarem sujeitos à política de estoques lhes garantiria vantagem em relação aos fornecedores do mercado doméstico.

Pelo regulamento atual da ANP, usinas, cooperativas e comercializadoras de etanol devem ter no dia 31 de março de um ano o equivalente a 8% do que foi vendido no ano anterior, caso o contratado com as distribuidores tenha sido de pelo menos 90% da produção. Se o volume contratado for menor do que 90%, esses agentes devem ter um estoque equivalente a 25% do vendido no ano anterior em 31 de janeiro e 8% em 31 de março.

Usando números hipotéticos, se uma usina produziu 100 milhões de litros de etanol anidro e contratou no mínimo 90 milhões para vender às distribuidoras em 2015 (ano civil, de janeiro a dezembro), em 31 de março de 2017 (final da safra 16/17) deveria manter um estoque de 8 milhões de litros. Se contratou menos que esse volume, deveria ter em estoque 25 milhões de litros em 31 de janeiro de 2017 e 8 milhões em 31 de março.

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Conselho Nacional de Política Energética reunido em Brasília (Foto:Saulo Cruz/MME)

Para os distribuidores de combustíveis, o regulamento da ANP obriga a manter de estoque de etanol anidro equivalente a 15 dias de comercialização média, levando em conta a mistura a ser feita na gasolina. As regras foram definidas com a finalidade de garantir o abastecimento de etanol anidro durante o período de entressafra de cana-de-açúcar.

O importador, desobrigado de formar estoques, trabalha ‘da mão pra boca’, explica Miguel Oliveira. ‘É mais fácil porque tem um custo mais baixo. Com a resolução, todos passam a ter as mesmas exigências regulatórias”, garante o diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia.

Entrando em vigor a nova regulamentação, o importador terá duas opções, diz ele: constrói ou adquire uma estrutura própria de estocagem ou contrata de quem tem disponível. Esse “locador de tanques” pode ser, inclusive, uma distribuidora. Na visão do governo, equilibra a competição e possibilita o aumento da armazenagem, beneficiando o abastecimento interno.

Reivindicação

A mudança no regime de estoques vai ao encontro, de certa forma, das intenções de integrantes da cadeia produtiva nacional, que reivindicava medidas relacionadas à importação. A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), por exemplo, chegou a pedir ao governo uma tarifa de 16% sobre o etanol do exterior, usando como argumento questões ambientais relacionadas ao combustível de cana-de-açúcar.

O diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia reconhece que foram analisadas as reivindicações. Mas a conclusão foi a de que a medida mais eficaz seria a equiparação das regras de estocagem. “Não criamos barreira nem aumentamos imposto. Fizemos um diagnóstico e construímos algo que não vai impactar nossas relações internacionais. É melhor do que uma solução tarifária”, analisa Miguel Oliveira.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar informou, por meio de sua assessoria, que não vai se pronunciar antes da resolução do Ministério de Minas e Energia ser publicada.

“Para o importador é mais fácil porque ele tem um custo mais baixo. Com a resolução, todos passam a ter as mesmas exigências regulatórias” (Miguel Oliveira, MME)

Visão semelhante à do governo tem Tarcilo Rodrigues diretor da Bioagência, empresa especializada na comercialização de açúcar e etanol no Brasil. Na opinião dele, a inclusão do importador no regime de estoques corrige uma distorção no mercado sem impedir a compra do combustível de outros países.

“A resolução não impede a importação, mas dá ao importador mesma obrigação. Operar para valer, e não ficar entrando e saindo do mercado, obriga a ter uma estrutura de capital”, argumenta, considerando que a decisão do Conselho Nacional de Política Energética é correta e “vai ao encontro do mercado”.

A resolução pode beneficiar também usinas de etanol de milho. Pelo menos na opinião do secretário de Política Agrícola, Neri Geller. Em postagens feitas em redes sociais, logo depois da resolução ser aprovada, ele avaliou que a medida garante competitividade aos produtores nacionais.

“Era uma reivindicação do setor e agora será atendida. Além disso, vai ser um estímulo a mais para os produtores de milho, que terão na produção do etanol uma alternativa de comercialização”, publicou o secretário.

No Brasil, o etanol de milho é produzido, principalmente, em Mato Grosso. No Estado que mais colhe o grão no país, o combustível é considerado uma importante alternativa para consumo de excedentes, principalmente em épocas de maior produção, quando os preços depreciam e a dificuldade de escoamento da safra fica mais evidente.

Em Campos de Júlio (MT), o milho responde pela maior parte da produção de etanol da Usimat, que utiliza a cana-de-açúcar para produção do combustível desde 2006 e, em 2012, incluiu o cereal na matriz. No ano passado, foram 51 milhões de litros de etanol de cana e 80 milhões de milho. Neste ano, devem ser 51 milhões e 130 milhões de litros, respectivamente.

Gerente industrial da empresa, Vital Nogueira também acredita que a mudança no regime de estoques de biocombustíveis deve estimular a produção nacional. Antes mesmo da publicação das novas regras, ele garante que o mercado já está se movimentando.

“Já tem gente que vislumbra a necessidade de mais etanol. É uma medida que vai deixar menos interessante importar e mais interessante fabricar internamente”, diz ele.

Raphael Salomão

 Fonte: Revista Globo Rural

Mais de 50 usinas já receberam o Selo Energia Verde

Um total de 51 usinas de cana-de-açúcar que produzem energia elétrica renovável e sustentável (bioeletricidade) para consumo próprio e para o Sistema Interligado Nacional (SIN) já detém o Selo Energia Verde, emitido pelo Programa de Certificação de Bioeletricidade, uma iniciativa pioneira da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) em cooperação com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e apoio da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL).

Instituído em janeiro de 2015, o Selo Energia Verde é a primeira certificação no Brasil focada estritamente na energia produzida a partir do bagaço e palha da cana, contemplando empresas sucroenergéticas que exportam eletricidade para o SIN e também as que produzem apenas para o autoconsumo, desde que cumpram as diretrizes do Programa. Algumas destas regras incluem a obrigação de que as unidades geradoras estejam adimplentes junto à CCEE, sejam associadas à UNICA e participantes do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético Paulista, ou declarem atender critérios semelhantes, caso localizadas fora do Estado de São Paulo.

Ao longo de 2017, as 51 unidades detentoras desta certificação estimam que produzirão para a rede aproximadamente 8 TWh, equivalente a 50% da geração de energia elétrica pelas usinas a carvão no Brasil ou quase 8% do que foi produzido pela usina de Itaipu em 2016.

Para o gerente em Bioeletricidade da UNICA, Zilmar de Souza, outro aspecto importante é que a produção desta energia estimada pelas empresas certificadas significará o equivalente a abastecer mais de 4 milhões de residências pelo ano inteiro ou o mesmo que evitar a emissão de quase 3,5 milhões de toneladas de CO2. Para atingir a mesma economia de CO2, seria preciso, ao longo de 20 anos, plantar 24 milhões de árvores nativas.

“Desde 2013, o setor sucroenergético vem gerando mais eletricidade para SIN do que para o consumo próprio das unidades fabris, ficando, em 2016, numa relação de 60% e 40%, respectivamente. O Selo contribui para divulgar a sustentabilidade desta geração renovável e estratégica para a economia brasileira”, comenta Souza.

Os consumidores no mercado livre que adquirirem a energia de uma usina certificada podem também, dentro das diretrizes do Programa, requerer o Selo Energia Verde, fornecido pela UNICA sem custo financeiro.

Fonte: Secretaria de Energia

Clima pode ajudar safra de cana a “empatar” com a de 2016

Chuva em abril e maio e temperatura estável são as únicas condições que manteriam números da produção de cana

As previsões estão conservadoras para a safra de cana-de-açúcar na região de Jaú, que teve início no último sábado. Na melhor das hipóteses, a produção deve empatar com o último ciclo, ainda assim se chover de forma suficiente em abril e maio e as temperaturas não caírem muito.

Previsões são conservadoras para a atual safra. Na foto, canavial às margens da SP-304, entre Jaú e Bariri

No ano passado, a região compreendida por 11 municípios produziu 19,8 milhões de toneladas, contra 20,3 milhões da safra anterior. A baixa renovação dos canaviais e as oscilações climáticas contribuem para as previsões pouco otimistas.

“Se realmente tiver chuva suficiente para abril e maio e a temperatura não cair muito, no máximo nós empataríamos com a produção passada”, afirma o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Eduardo Vasconcellos Romão, que também preside a Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana).

Na Região Centro-Sul, a fabricação de açúcar deve alcançar 35,5 milhões de toneladas, aumento de apenas 0,4% em comparação ao ano passado. A de etanol, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), tende a cair em 24,2 bilhões de litros (redução de 4,06%).

Com 11 usinas e sete frigoríficos, a produção agrícola da região vem diminuindo pelo menos desde 2011, de acordo com Romão. Os rendimentos que já chegaram a R$ 2 bilhões/ano nunca mais atingiram esta marca, e hoje alcançam em média R$ 1,5 bilhão/ano. A queda impacta diretamente as demais cadeias produtivas, com destaque para a metalurgia.

Preços

O setor sucroalcooleiro encerrou a safra 2016/2017 com preços superiores aos dos ciclos anteriores, tanto para o açúcar quanto para o etanol.

Mesmo com demanda menor no Brasil e no exterior, o combustível rendeu de 1% (hidratado) a 2% (anidro) a mais.

A pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) Evelise Rasera Bragato explica que a oferta dos etanóis diminuiu porque as usinas direcionaram a maior parte da cana para produção de açúcar. “Na bomba, o preço não ficou em desvantagem com relação aos outros anos”, lembra a pesquisadora.

A exportação também caiu na última temporada. Foram embarcados 1,3 bilhão de litros, queda de 36,9% no comparativo com o ciclo anterior, resultando em receita de US$ 727 milhões.

João Guilherme D’Arcadia

Fonte: NovaCana

Inclusão da cana-de-açúcar nas negociações do acordo Mercosul-União Europeia

Brasília – A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), representada pelo seu diretor Executivo, Eduardo Leão de Sousa, integrou  uma comitiva formada por 15 entidades empresariais do Brasil em Seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nos dias 21 e 22 de março, em Buenos Aires. Participaram do evento diversas lideranças do agro argentino e do agro brasileiro, como parte dos eventos de mais uma rodada de negociações para o Acordo União Europeia-Mercosul, bem como de encontros com os negociadores chefes dos quatro países integrantes do Mercosul e da União Europeia.

“Nestas reuniões, procuramos enfatizar a importância da conclusão do Acordo para o nosso setor e a nossa confiança de que o açúcar e o etanol farão parte das próximas listas da UE. A expectativa é a de que as negociações sejam concluídas até o final do ano e, com isso, esperamos ter mais acesso ao mercado europeu, hoje fortemente dificultado por barreiras tarifárias extremamente elevadas, além de quotas de exportação no caso do açúcar”, avalia o executivo da Unica.

A presença da entidade na capital argentina foi possível graças à parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), parceira da Unica em projeto para promover o comércio internacional dos derivados de cana.

Em evento organizado na Bolsa de Cereais de Buenos Aires (21/03), o diretor da Unica participou do seminário “Desenvolvimento Sustentável e Produção Agrícola” ao lado de representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sociedade Rural Argentina (SRA), do Centro de Economia Internacional (CEI) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Entre os principais temas discutidos, destacou-se o painel “As Negociações UE-Mercosul e a Questão do Desenvolvimento Sustentável”, que reuniu negociadores-chefes do Brasil, Argentina e UE, Ronaldo Costa, Daniel Raimondi e Sandra Gallina, respectivamente. No dia seguinte, na sede da União Industrial Argentina (UIA), os mesmos participantes estiveram reunidos com o diretor da Unica e executivos da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e da Associação Brasileira das Indústrias do Milho (Abimilho).

De acordo com Eduardo Leão, existe um ambiente mais favorável para as negociações do Acordo com a UE e parece haver uma abertura maior para as discussões referentes aos produtos do agronegócio, ao menos neste momento.

 

Fonte: Site Notícias Agrícolas

As vantagens do plantio automatizado de cana

Boas práticas e o uso de plantadora automatizada melhoram muito o desempenho da operação

Alinhamento do plantio com piloto automático, qualidade da sulcação e da cobertura estão entre benefícios da Plantadora de Cana Picada PCP 6000 Automatizada

Nas oito fazendas do produtor de cana Anselmo Dimas Ferrari, situadas num raio de 100 km de São José do Rio Preto, SP, todas as distribuidoras de cana foram encostadas. “Passamos a utilizar totalmente no nosso plantio a Plantadora de Cana Picada PCP 6000 Automatizada, da DMB Máquinas e Implementos Agrícolas”, relata Anselmo, que é diretor da Agro FCM. “Achamos a máquina confiável e com realização satisfatória do plantio”, avalia.

Entre os benefícios possibilitados pela plantadora automatizada DMB, Anselmo destaca o alinhamento do plantio com piloto automático, a qualidade da sulcação e da cobertura, a maneira como distribui os toletes – em posição e quantidade satisfatórias – e a obediência ao trator.

Outro fator positivo é a qualidade da germinação. O canavial mostra que o plantio é bem-feito, o nascimento é rápido, perfilha muito bem, tem poucas falhas e quando tem falha nem sempre é culpa da plantadora, mas de um agente externo. “A máquina executa um ótimo serviço, que permite a formação de um bom estande.”

Para o produtor, a plantadora automatizada DMB realiza um plantio dentro do padrão de qualidade requisitado pela Agro FCM. “Se não tivesse dentro deste padrão, se fosse comprometer a produtividade, não iríamos usar”, afirma Anselmo.

Atualmente, a Agro FCM já conta com 12 plantadoras, mas, para 2017, o plano é de aquisição de duas novas máquinas. De acordo com Anselmo, vale a pena investir na PCP 6000 Automatizada. Além dos benefícios já elencados, ela possibilita a economia de várias operações. “Comparando com a distribuidora, elimina um terço dos tratores e do pessoal que trabalha. Também dispensa a sulcação anterior. Portanto, resume todas as operações numa só. O desafio foi aprender a trabalhar com a máquina para tirar dela tudo o que pode proporcionar.”

Abaixo seguem algumas informações que sintetizam as vantagens da plantadora automatizada, tabuladas a partir do uso do equipamento nas propriedades da Agro FCM:
– consumo de mudas médio com a plantadora automatizada da DMB: 14 t/ha;
– consumo de mudas médio anterior com a distribuidora de cana: 19 t/ha;
– redução de 2 operadores e 2 tratores;
– melhor logística e sem preocupação com sincronismo entre as operações de sulcação, distribuição de mudas e fechamento do sulco por se resumir numa operação única;
– frota de 12 plantadoras e intenção de compra de mais duas para o próximo plantio;
– germinação mais uniforme, melhor estande de plantas e melhor perfilhamento;
– expectativa de maior longevidade do canavial;
– maior facilidade da operação quebra-lombo pelo menor lombo deixado pela plantadora.

Fonte: CanaOnline

Mudas de cana pré-brotadas elevam produtividade em até 40%

O aumento da produtividade é uma meta sempre buscada por quem atua na atividade canavieira. Atualmente há vários recursos para ter esse ganho, como agricultura de precisão, inovações no controle de pragas e doenças, manuseio da cana-de-açúcar e até mesmo no plantio da planta, seja o pelo método convencional, seja pelo plantio de mudas pré-brotadas (MPB). A técnica tem como objetivo produzir cana a partir de mudas de alta qualidade, livres de doenças e pragas, o que garante taxa de multiplicação muito maior que pelo do plantio tradicional.

Em experimentos foi identificado aumento de produtividade entre 20% e 40%. O MPB também permite uma equidistância ideal entre as plantas e assim, ter o número de perfilhos mais útil. Segundo o diretor da Sta TechCana, Leonardo Ubiali Jacinto, essa vantagem se destaca de todas as outras no plantio comercial, já que consegue a distância ideal entre as plantas e evita a competição entre elas. Assim, há ganho de produtividade. Além disso, os plantios são uniformes e isentos de doenças, principalmente do Sphenophorus levis, praga que tem um alto poder destruidor nos canaviais.

O gerente de Marketing para Cultura de Cana da BASF, Cristiano Peraceli, diz que as mudas pré-brotadas AgMusa da BASF possuem a tecnologia que viabiliza a implementação de viveiros de alto potencial produtivo para que as usinas tenham acesso a mudas sadias de novas variedades, com garantia de qualidade BASF. “A tecnologia é composta por um sistema de multiplicação, tratamento, rustificação e plantio, resultando em viveiros de alto potencial produtivo”, explica.

A Associação dos Fornecedores de Cana da Usina Bom Sucesso (AFC) tem 21 hectares de cana originária de MPB e a primeira poda de cana  será realizada esse ano. A expectativa do Gerente Agrícola da AFC, Antônio José da Silva é aumentar a produção para acima de 130 toneladas por hectare. Silva explica que a vantagem do método é a qualidade da variedade. “A muda é livre de doenças, vem limpa”, pontua. Atualmente, a AFC possui um pequeno viveiro, que em breve será ampliado com o objetivo de reduzir os custos.

Os especialistas são claros em não haver indicação de melhor momento para o produtor utilizar as mudas pré-brotadas. A MPB pode ser utilizada para a renovação do canavial ou na construção de um novo. O custo de implantação é variável. Na Sta TechCana o valor da muda varia entre R$ 0,55 a  R$0,70, dependendo do volume. São Paulo é hoje é Estado brasileiro com maior incidência de canaviais originário de mudas, seguido por outros estados da região Centro-Sul.

Criadouros

Com as mudas pré-brotadas, o viveiro é o local que começa o ciclo produtivo da usina. Esses locais são construídos a partir de mudas sadias que potencializam o sucesso, garantindo alta qualidade da variedade a ser plantada nas primeiras fases da obtenção de matéria-prima. O viveiro imprime velocidade na formação ao receber mudas prontas e aclimatadas. Trata-se de uma forma segura de introdução de novas variedades com custo adequado, segurança e qualidade a fim de diferenciar a usina. Dessa forma, mudas sadias em um viveiro são o alicerce de um bom canavial”, explica o gerente de Marketing para Cultura de Cana da BASF.

A BASF possui dois viveiros. A Sta TechCana está no mercado há cinco ano e tem capacidade instalada para produzir mudas para 4.500 ha/ano. A plantação das mudas é mecânica e depende de trator ou maquinário específico para jogar as mudas. Já a BASF recomenda o uso do sistema de Meiosi que é um dos modelos que melhor potencializa os resultados de AgMusa, pois une o planejamento, tecnologia e rentabilidade.

“O plantio de Meiosi promove a sustentabilidade natural da rotação de cultura, quebrando o ciclo de pragas, aliando a sanidade e a alta produtividade de suas linhas de cana, com benefícios financeiros advindos da cultura intermediária (como por exemplo, amendoim)”, pontua Cristiano Peraceli.

Atualmente, a BASF desenvolve duas transplantadoras que estão em fase de teste e validação.

“Uma é automática para o plantio em duas linhas; a outra transplantadora é semiautomática para plantio em uma linha, proporcionando maior rentabilidade ao produtor, pois reduz o custo de operação no plantio e melhora ainda mais a qualidade”, esclarece Peraceli.

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia

Fonte: Canal BioEnergia

Norma de Caracterização Química de Bagaço de Cana-de-açúcar

O IPBEN – Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Unesp, em apoio à ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, junto com outras seis instituições, participou da elaboração da Norma de caracterização química de bagaço de cana-de-açúcar. O IPBEN tem uma linha de pesquisa dedicada a conversão e caracterização de biomassa. Nesta área atua o Pesquisador Michel Brienzo, o qual participou da elaboração da Norma (ABNT NBR 16550:2016). Na caracterização de biomassa estão incluídos estudos de composição química e propriedades físico-químicas da biomassa. Tais fatores, são diretamente responsáveis pela recalcitrância, resistência na conversão da biomassa em biocombustíveis e produtos de alto valor agregado. A composição química da biomassa é um dos fatores chaves para determinar o potencial da biomassa na conversão e avaliar efeitos do processo sobre o material.

Devido à importância da padronização da metodologia de caracterização química, pesquisadores de diversas instituições como INMETRO, CTC, CTBE-CNPEM, EMBRAPA AGROENERGIA, IPEN, PETROBRAS e UNESP, representada pelo IPBEN, trabalharam em conjunto com a ABNT. A elaboração da Norma padronizada tem como objetivo trazer confiabilidade ao método de caracterização química do bagaço de cana-de-açúcar, permitindo também comparações de resultados. Deste modo, a normalização da metodologia atende a necessidade de diversos laboratórios de pesquisa que trabalham com essa biomassa, e o setor sucroalcooleiro. A definição das especificações técnicas da Norma de caracterização química do bagaço de cana-de-açúcar levou em consideração as diferentes metodologias disponíveis na literatura, compilando os critérios mais relevantes e os unificando em uma metodologia padronizada.

A Norma ABNT NBR 16550:2016 está disponível no site http://www.abnt.org.br. Baseado na norma elaborada, o IPBEN lançará prestação de serviços em caracterização química de bagaço de cana-de-açúcar.

Fonte: Cana online