Fortes ventos derrubaram lavouras de cana em oito cidades paulistas

Os fortes ventos que atingiram municípios do interior de São Paulo entre domingo (10) e terça-feira (12) derrubaram lavouras de cana-de-açúcar em ao menos oito cidades e atingiram plantações de um centro de pesquisa em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).

Os ventos -que chegaram a 70 km/h– atingiram canaviais de Ribeirão Preto, Brodowski, Jardinópolis, Batatais, Pradópolis, Serrana, São Joaquim da Barra e Sertãozinho, deixando a cana tombada no solo.

Também houve registro de chuva, mas não de forte intensidade -28 milímetros.cana_caid

No Centro de Cana do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), em Ribeirão, houve tombamento em algumas áreas de experimentação, em especial naquelas com canas mais altas (para colheita), de acordo com o pesquisador Marcio Bidoia, responsável técnico pelos campos.

No local, está sendo desenvolvida a cana energia, ou supercana, feita a partir de melhoramentos genéticos, que pode atingir seis metros de altura e produzir 300 toneladas por hectare.

Segundo Bidoia, apesar de o vendaval ter atingido os campos do Centro de Cana, isso não significa perda dos experimentos, e sim mais trabalho para colher.

Em algumas propriedades, áreas de até um hectare (10 mil metros quadrados) foram atingidas, segundo relatos de fazendeiros.

Produtor de cana em Ribeirão, José Pedro de Oliveira disse que precisará contratar trabalhadores rurais para colher a cana tombada. “É um gasto que não teria, não fosse o vento. A cana está boa, mas vai dar mais trabalho para ser colhida”, disse.

Com lavoura totalmente mecanizada, a colheita com máquinas fica inviável com a cana “deitada”.

É a terceira vez que o fenômeno atinge municípios da região de Ribeirão Preto desde 2012.

MARCELO TOLEDO

 

Fonte: http://www.novacana.com/n/cana/plantio/fortes-ventos-derrubaram-lavouras-cana-oito-cidades-150515/

Produção de energia de biomassa pode crescer até 15% em 2015

Cana de açúcar: fonte biomassa poderia ter gerado 6 vezes mais energia em relação à ofertada à rede em 2014, segundo especialista
São Paulo – A crise de energia e o risco de racionamento no Brasil abrem espaço para que o setor sucroenergético expanda neste ano o segmento de cogeração, aquele em que a biomassa é usada para produzir eletricidade.

Especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, dizem que a cadeia produtiva de açúcar e álcool tem potencial para aumentar a oferta de energia entre 10% e 15% em 2015 sobre os 20,8 mil GWh gerados em 2014, quantidade já 21% maior que em 2013.

Isso com base na capacidade atualmente instalada e desde que usando não só o bagaço da cana, mas também materiais de terceiros, como cavaco de madeira.

1Avalia-se que a participação no consumo nacional, hoje em torno de 4%, só não é maior porque ainda faltam infraestrutura eficiente e aspectos regulatórios que permitam o pleno desenvolvimento da cogeração nas usinas.

De acordo com o gerente em bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Zilmar Souza, para desenvolver todo o seu potencial, as unidades produtoras precisariam inicialmente investir no chamado retrofit, ou seja, na reforma e atualização do parque industrial para comportar os equipamentos necessários à cogeração.

“A fonte biomassa poderia ter gerado 6 vezes mais energia em relação à ofertada à rede em 2014, que é o seu potencial teórico. Isso significaria ter direcionado para o setor um investimento da ordem de R$ 85 bilhões”, calculou Souza.

De acordo com ele, contudo, esse é apenas um valor-limite, “hipotético”, até porque o segmento passa por dificuldades financeiras e precisaria de no mínimo dois anos para a conclusão das obras, enquanto a demanda por energia é mais imediata. Paralelamente, caberia ao governo honrar o plano de investir R$ 6 bilhões em linhas de transmissão nos próximos anos.

Souza explicou que os atuais linhões necessários à energia de cogeração estão concentrados em áreas de fronteira de cana, como Mato Grosso do Sul e Goiás, e foram erguidos durante o boom do setor, em 2008 e 2009. Já em São Paulo, principal produtor, mas que tem usinas mais antigas, a infraestrutura é fraca. “Nesse caso, é o gerador que tem de pagar pela distribuição, quando o ideal é que isso seja providenciado pelo sistema.”

Do lado regulatório, há o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Balizador das transações no curto prazo, o PLD tem teto de R$ 388,48 por MWh neste ano, abaixo do de R$ 822,83 por MWh de 2014. “Poderíamos gerar se houvesse estímulo de preço, se houvesse sinalização para a biomassa, o que não temos”, comentou Souza. “O que a Unica quer é que o preço continue melhorando”, disse, enquanto o setor também pede mais leilões de energia específicos e regionais para biomassa.

Pelos cálculos de Thais Prandini, diretora da Thymos Energia, a cogeração tem potencial para passar dos atuais 4% para algo próximo de 12% de todo o consumo nacional. “Se todas as usinas do Brasil produzissem energia para o sistema, elas produziriam mais do que Belo Monte”, comparou. No ano passado, a eletricidade de cogeração foi capaz de abastecer 11 milhões de residências ou 52% do que a hidrelétrica no Rio Xingu, no Pará, deverá produzir em 2019, quando for concluída.

Prandini, entretanto, pondera que a energia de cogeração “é importante para a matriz, mas, sozinha, não consegue sustentar um país”. “Todo país depende de diversificação, porque há sazonalidade”, explicou, referindo-se a períodos de seca, que impactam as hidrelétricas, e também às entressafras de cana, cujo bagaço e a palha representam 80% de toda a biomassa usada para produzir energia. Aliás, cada tonelada de cana gera de 250 kg a 270 kg de bagaço e mais 200 kg de palha para cogeração.

Embora não garanta o abastecimento interno, a eletricidade advinda de usinas tem o atrativo de poder ser produzida mais rápido. “Isso, principalmente, porque não tem de se discutir todo o impacto ambiental, como ocorre com hidrelétricas”, disse a sócia da B2L Investimentos S.A e especialista em bioenergia, Danielle Limiro. “Para 2015, o cenário está promissor.”

Em entrevista recente ao Broadcast, o diretor da Divisão de Cana da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, afirmou que a Guarani deverá aumentar a cogeração em 20% na safra 2015/16, que se inicia em abril. Juliano Prado, diretor executivo de bioenergia e administrativo da Raízen, comentou que a empresa tem capacidade de geração adicional de energia e que o setor como um todo tem “potencial grande” para contribuir com o fornecimento de eletricidade em 2015. No ano passado, a Raízen produziu 2,1 milhões de MWh.

Já o Grupo São Martinho, que gerou 720 mil MWh em 2014, ainda não fechou o guidance para a temporada, de acordo com o diretor de Relações com Investidores da empresa, Felipe Vicchiato. Ele comentou que em torno de 30% da energia gerada pela São Martinho é comercializada no curto prazo.

Texto: José Roberto Gomes, do Estadão Conteúdo
Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/producao-de-energia-de-biomassa-pode-crescer-ate-15-em-2015

A Utilização de Fungicidas na Cana

A produtividade de um cultivo agrícola depende de diversos fatores, como variedade, solo, clima, irrigação, técnicas de cultivo, adubação, manejo de pragas etc.

As pragas são fatores limitantes do rendimento, impedindo que a planta expresse todo o seu potencial genético. Estimativas conservadoras indicam que as pragas são responsáveis por cerca se 42% dos danos que ocorrem na produção vegetal. Se conseguíssemos controlar totalmente apenas as doenças, já teríamos um aumento de 13% na produção. Existem cerca de 40 diferentes medidas que podem ser utilizadas, simultaneamente ou em sequência, para se reduzir os danos causados pelas doenças causadas por fungos, bactérias, vírus, nematóides etc. Essas medidas podem ser incluídas em métodos genéticos, biológicos, culturais, físicos e químicos. O método químico se baseia, principalmente, na utilização de fungicidas. A maior parte das medidas são preventivas. Depois que uma doença se estabelece, a principal medida de controle é a utilização de fungicidas.

Na maioria das culturas o controle químico é um dos mais utilizados por sua eficiência e praticidade. Entre os cultivos de maior importância no Brasil, a cana de açúcar é uma exceção: os fungicidas são muito pouco utilizados. As doenças são manejadas, principalmente, empregando-se variedades resistentes, obtidas através do melhoramento genético. Este procedimento tem sido suficiente para garantir o cultivo satisfatório em cerca de nove milhões de hectares no Brasil, proporcionando a produção de cerca de 642 milhões de toneladas. Entretanto, essa produtividade, de pouco mais de 70 t/ha, é baixa. A cultura da cana precisa continuar incorporando novas tecnologias para ser sustentável. Já foram obtidos avanços expressivos na utilização da vinhaça, na colheita da cana sem queimadas, na valorização da palhada e do bagaço etc. Está sendo desenvolvido o plantio de mudas no lugar de toletes. Além de ser tradicional matéria prima para a indústria de alimentos (açúcar, rapadura, aguardente) também é importante para a produção de etanol, combustível renovável e pouco poluente, e, mais recentemente, de biomassa para a produção de energia.

Agora está no momento de se validar a utilização de fungicidas na cultura da cana no Brasil. Com a introdução do agente causal da ferrugem alaranjada, o fungo Puccinia kuehnii, em 2009, diversas variedades com boas características agronômicas estão sendo questionadas por permitirem a ocorrência da ferrugem. São cerca de 1,3 milhão de ha (15% da área cultivada) com ocorrência da ferrugem alaranjada nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Minas Gerais. Estimativas preliminares indicam danos de 20% causados por esta doença. Trata-se de oportunidade de se incorporar, a exemplo do que ocorre nas culturas de soja, milho, algodão, trigo, feijão, arroz, batata, tomate etc., outras alternativas de manejo, seguindo o que preconiza o MIP: Manejo Integrado de Pragas.

Já existem fungicidas registrados no Brasil para o manejo da ferrugem alaranjada. Como se trata de uma mudança na cultura dos produtores e consultores/técnicos, não familiarizados com a aplicação de fungicidas foliares, o assunto tem que ser mais discutido e estudado. Diversos experimentos tem demonstrado os efeitos positivos da aplicação de fungicidas. Outros experimentos estão sendo instalados na presente safra. Há necessidade de se aprimorar a tecnologia de aplicação, seu melhor posicionamento durante o ciclo (momentos da aplicação, número de aplicações etc.), entre outros aspectos.

O necessário choque tecnológico na cana que deverá proporcionar aumentos expressivos de produtividade, essenciais para que a cultura supere a crise atual, exigirá tomadas de posição mais ousadas, rompendo o conservadorismo da atividade e incorporando inovações que tenham mostrado, cientificamente, benefícios significativamente superiores aos custos destes novos procedimentos. A utilização racional de fungicidas foliares pode ser uma dessas mudanças necessárias.

1* José Otavio Machado Menten (Mentão F-73), Diretor Financeiro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Vice-Presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia, Pós-Doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia, Professor Associado da ESALQ/USP. Ex-Morador da Casado Estudante (CÉU)

Fonte:
Originalmente publicado no portal da Casa do Produtor Rural em 24 de Março de 2015 – http://www.esalq.usp.br/cprural/artigos.php?col_id=92
Blog da ADEALQ – http://www.adealq.org.br/blog/A-Utiliza%C3%A7%C3%A3o-de-Fungicidas-na-Cana-(Ment%C3%A3o)-1281

Moagem no Centro-Sul até a primeira quinzena de abril é de 18,30 milhões de t

O volume processado de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil, até 15 de abril de 2015, atingiu 18,30 milhões de toneladas, 11,41% superior ao volume processado no mesmo período da safra 2014/2015.

Até 15 de abril, 166 usinas estavam em operação, contra 163 unidades registradas até a mesma data de 2015. Hoje, 28 de abril, mais de 200 unidades produtoras encontram-se em safra.

2De todos os Estados do Centro-Sul, apenas São Paulo apresentou uma moagem inferior (em 26,74%) quando comparada aquela observada no mesmo período do último ano. Este resultado reflete o número menor de unidades operando no Estado: até 15 de abril de 2014, 86 unidades estavam em atividade, ante 81 verificadas em 2015. Outro fator que contribuiu para esta queda da moagem paulista foi o fato da atual safra ter iniciado tardiamente, com atraso médio de 4 dias em relação à data de início da safra anterior, além das condições para colheita menos favoráveis quando comparada aos demais Estados diante do maior volume de chuvas.

A safra 2015/2016 iniciou mais alcooleira do que a anterior, com o maior incremento na produção de etanol hidratado, dados os expressivos estoques de passagem de etanol anidro. O volume produzido de etanol hidratado, no acumulado desde o início da atual safra até 15 de abril, somou 681,14 milhões de litros – alta de 51,98% sobre o valor apurado no mesmo período de 2014. A produção de etanol anidro atingiu 119,49 milhões de litros, ao passo que a quantidade fabricada de açúcar totalizou 547,97 mil toneladas.

Em relação à produtividade agrícola, maiores detalhes serão fornecidos no próximo release, quando da apuração da moagem até o final do mês de abril.

Vendas de etanol

Mais uma vez, as vendas de etanol carburante pelas unidades produtoras da região Centro-Sul tiveram expressivo incremento comparativamente com os resultados 1ª quinzena de abril de 2014. O volume comercializado de etanol hidratado carburante aumentou 52,84% no período, totalizando 693,70 milhões de litros, contra 453,86 milhões de litros na mesma quinzena de 2014.

Acesse o relatório completo aqui.

 

Fonte:
http://www.novacana.com/n/cana/safra/moagem-regiao-centro-sul-abril-280415/

Clima será “excepcional” para milho, cana e café nos próximos meses

As condições climáticas para as lavouras de milho, cana-de-açúcar e café do centro-sul do Brasil nos próximos meses serão “excepcionais”, com chuvas adequadas na reta final antes da colheita, disse nesta sexta-feira um agrometeorologista da Somar.

A segunda safra de milho, plantada no Centro-Oeste, Sudeste e Paraná logo após a colheita da soja, está nas fases iniciais de desenvolvimento, em que a umidade do solo ainda é muito necessária.

“Está maravilhoso. Está chovendo bem em todas as regiões produtoras de milho safrinha do Brasil”, disse à Reuters Marco Antônio dos Santos, da Somar.

Segundo ele, haverá chuvas constantes no Centro-Oeste, Sudeste e Paraná durante as próximas duas semanas, até o fim de abril. Depois disso, não haverá uma interrupção total das precipitações, como é comum no outono e inverno da região central do país.

“Para a maior parte das regiões produtoras, não há ausência de chuvas, mas pancadas isoladas. Para os produtores que plantaram milho em março, o que foge da janela ideal de clima, isso é bom”, disse Santos, não descartando que microrregiões terão clima seco mais prolongado.

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Uma das explicações para as características climáticas dos próximos meses é a ocorrência de um El Niño fraco, que foge das características clássicas do fenômeno, segundo Santos.

“Não tem um El Nino característico, mas tem uma continuação de um certo aquecimento das águas do Pacífico e do Atlântico. Isso favorece a entrada de frentes frias (e ocorrência de chuvas) durante os próximos meses”, afirmou.

A colheita de milho deverá começar na primeira quinzena de junho.

Nesta sexta-feira, a consultoria Céleres disse que a segunda safra de milho do Brasil tem potencial para romper a marca de 50 milhões de toneladas, um volume nunca colhido no país, em função das boas perspectivas de clima para as lavouras.

CAFÉ E CANA
No centro-sul do Brasil, notadamente em São Paulo, principal região produtora de cana do país, a condição mais chuvosa em abril e nos meses seguintes não deverá atrapalhar o trabalho de colheita das primeiras lavouras e ainda poderá ajudar o desenvolvimento das áreas a serem colhidas mais ao final da temporada.

A colheita no centro-sul já começou e vai até outubro ou novembro, quando o tempo seco permite a entrada das máquinas nos canaviais e favorece a concentração de açúcar nas plantas.

“Não teremos nem invernada, uma semana inteira chovendo, nem seca drástica. É o melhor dos mundos para a cana”, disse o agrometeorologista.

A expectativa é que as lavouras de cana do centro-sul se recuperem este ano de uma seca histórica no início do ano passado, que derrubou a produção e mexeu com os preços internacionais do açúcar.

Para o café, outro importante produto de exportação do Brasil, com colheita da maior parte da produção a partir de maio, o clima mais chuvoso dos próximos meses não terá tanta interferência na safra, embora possa ajudar no desenvolvimento de colheitas futuras. As plantações do Sudeste, principalmente de Minas Gerais, ainda se recuperam da forte seca do início do ano passado.

“Estive ontem no sul de Minas e quando mostrei os gráficos de que tem chuvas, mas sem invernada, os produtores adoraram, contou o agrometeorologista.

Santos destacou que a primeira massa de ar polar deve chegar a Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais no fim de maio ou no começo de junho.

“Mas não é temperatura para geada”, frisou o especialista, referindo-se às condições de frio congelante que podem arrasar lavouras de café, cana e milho, especialmente no Paraná. “Mas precisamos monitorar.”

Segundo ele, o Brasil terá em 2015 um inverno semelhante ao de 2014, com picos de frio, com duração de apenas três ou quatro dias.

Gustavo Bonato
Fonte:
http://www.novacana.com/n/cana/safra/clima-excepcional-cana-somar-170415/

Produtores de cana em SP dizem que 2014 é para ser “esquecido”

A estiagem que atinge todo o estado de São Paulo não tem prejudicado apenas o abastecimento de água em algumas cidades, mas também a produção de uma das principais culturas paulistas: a cana-de-açúcar. Na região noroeste, produtores lamentam o prejuízo na safra deste ano. De acordo com a Associação dos Plantadores de Cana (Aplacana), a queda na produção da região de São José do Rio Preto (SP) está entre 20% e 25%, em média – o balanço só será fechado no término da safra, ao fim de novembro. A Aplacana tem na região mais de 500 produtores associados e 300 fornecedores, abrangendo uma área de 40 municípios.

“Há muitos anos estávamos tendo uma produção crescente na região e mesmo neste ano, com uma área maior de plantio, a produção foi menor do que o esperado”, afirma Donaldo Luís Paiola, presidente da associação. Donaldo afirma que a estiagem pegou a maioria dos produtores de surpresa e afetou não apenas a safra de 2014. “O prejuízo é visível. A cana não teve a brotação adequada e a próxima safra também fica comprometida”, diz:

“TENTAMOS RENEGOCIAR PARA IR PAGANDO AOS POUCOS, MAS RENEGOCIAR COM BANCOS É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL”

O produtor Juliano Maset tem uma propriedade em Monte Aprazível (SP), região de Rio Preto. Ele sente o castigo imposto pela longa duração da estiagem no estado. Apesar de a média de quebra de produção ser de 20%, ele, particularmente, terá uma quebra de 40%. “A minha produtividade será ainda menor porque tenho uma plantação antiga, e isso afeta também. A estiagem não ajudou muito no crescimento da cana”, diz.

Na última safra, Juliano colheu 12 mil toneladas e agora conseguiu colher 8 mil. Ele afirma que este ano foi um dos mais difíceis que já enfrentou. O produtor disse que não há uma técnica diferente no plantio para evitar o prejuízo, e que a expectativa é de que volte a chover para ajudar na próxima safra. “Esse ano foi muito complicado. Em março de 2015 vou começar a plantar para colher em 2016. A gente espera que a chuva volte e nos ajude para esta safra, pelo menos para conseguirmos pagar o prejuízo que tivemos agora por causa da seca”, afirma.

Na plantação do produtor Roberto Bispo, na região de Araçatuba (SP), a quebra na produção deste ano chega a 30%. A intenção dele para a safra de 2014 era colher 20 mil toneladas de cana, mas acabou produzindo 14 mil. “Foi bem abaixo do esperado realmente, ninguém esperava uma seca tão rigorosa como esta, afetou várias culturas”, afirma.

Com a baixa produção da cana, o prejuízo é sentido no bolso do produtor. Por isso, ele afirma que tenta equilibrar as contas tentando renegociar os valores com cooperativas e fornecedores de material. “Tentamos renegociar para ir pagando aos poucos, mas renegociar com bancos é praticamente impossível”, diz o produtor.

Tecnologias

Alguns produtores conseguiram diminuir, mas não evitar o prejuízo. Uma propriedade em Altair (SP) conseguiu evitar que a queda na produção fosse maior adotando algumas técnicas. Lá, as perdas ficaram abaixo de 10%.

“Diminuir o impacto com a seca está muito ligado aos bons tratos culturais e evitar a compactação de solo, para quando tiver a chuva, ela seja absorvida e a umidade dure mais tempo. Com uma adubação especial e colheitas com piloto automático, a qualidade do plantio é melhor. Com isso, temos conseguido no momento de crise como este um resultado razoável”, afirma o produtor Fábio César Campanelli.

Ele reveza o plantio de cana com o de milho e afirma que a estiagem começou a prejudicar também a colheita do grão deste ano, em meados de março. Já em relação à cana, segundo Fábio, para o plantio de 2013 a chuva foi suficiente, mas a seca deste ano prejudicou o desenvolvimento da plantação.

“Terminamos a safra no final de outubro, o ciclo foi reduzido porque sempre terminamos em meados de novembro. Como reduziu a produção, nós encurtamos o clico. Neste ano aconteceu até um fato raro, porque as máquinas não tiveram interrupção durante a colheita por causa da chuva”, afirma.

No ano passado, a produção na propriedade de Fábio foi de 98 toneladas por hectare, enquanto neste ano chegou a 91 toneladas. Apesar de estar otimista com a volta da chuva, ele acredita que a safra do ano que vem também ficará prejudicada. “O ano de 2014 é para ser esquecido. É muito cedo para falar em números, de qual será o impacto, até porque a cana consegue reverter parte do prejuízo com momentos de clima favorável, diferente de outras culturas. Mas vejo que muitas socas brotaram mal e fica a expectativa de um ano de baixa produção em 2015”, afirma.

Marcos Lavezo

Fonte: http://www.novacana.com/n/cana/plantio/estiagem-cana-produtores-sp-2014-esquecido-241114/

Demanda de recursos para estocagem de etanol atinge 100% do BNDES PASS

Foram formalizados 65 pedidos, com valor médio de R$ 31 milhões cada

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta quarta, dia 1º de outubro, que os R$ 2 bilhões do Programa BNDES de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro (BNDES PASS) foram utilizados em sua totalidade. Foram aprovadas ou contratadas até agora operações no valor de R$ 1,886 bilhão (94,3% do orçamento do programa), e outras, que somam R$ 114 milhões, estão em análise.

De acordo com o banco, em nota, os recursos totais do BNDES PASS equivalem a uma capacidade de retenção de estoques de cerca de 1,33 bilhão de litros de etanol anidro ao longo do período final de safra e entressafra – de dezembro deste ano até março de 2015. O cálculo leva em conta preço de anidro ao produtor de R$ 1,50 o litro.

O objetivo do programa é dar fôlego às empresas produtoras, permitindo que elas carreguem seus estoques de etanol de uma forma mais adequada ao longo da safra, sem causar depreciação nos preços do combustível neste período – afirma o BNDES.

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Objetivo do programa é dar fôlego às empresas produtoras, permitindo que elas carreguem seus estoques de etanol ao longo da safra.

Foram formalizados no âmbito do BNDES PASS 65 pedidos de financiamento, com um valor médio de R$ 31 milhões por pedido. Destes, 60 pedidos já foram aprovados e contratados e 5 estão em análise, devendo ser submetidos à diretoria do banco ainda no início deste mês. As liberações também estão previstas para serem processadas em outubro.

Fonte:
http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2014/10/demanda-de-recursos-para-estocagem-de-etanol-atinge-100-do-bndes-pass-4611023.html

Dívida do setor sucroenergético chega a R$ 68 bilhões

Levantamento é da consultoria Datagro e responsabiliza a perda de competitividade ao aumento da dívida

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, disse nesta quinta, dia 2, que a dívida do setor sucroenergético passou de R$ 3,5 bilhões no início dos anos 2000 para R$ 68 bilhões agora. O endividamento é resultado da perda de competitividade do etanol ante a gasolina e da crise enfrentada pelas usinas desde a crise do crédito de 2008.

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O  endividamento é resultado da perda de competitividade do etanol
ante a gasolina e da crise enfrentada pelas usinas desde a crise do crédito de 2008

 – A solução (para reverter essa situação) passa por um mecanismo automático de reajuste de preço da gasolina e que seja duradouro – disse Nastari.

Segundo ele, os subsídios dados pelo governo ao combustível fóssil chegam, atualmente, a 16% do valor do produto. Indagado se o setor já passou pelo seu pior momento na atual crise, o presidente da consultoria apenas frisou que “é difícil dizer”, pois dependerá da redução dos estoques mundiais de açúcar e da consequente elevação do preço da commodity.

Fonte:
http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2014/10/divida-do-setor-sucroenergetico-chega-a-r-68-bilhoes-4611854.html
Estadão de São Paulo

Emenda do deputado Mendes Thame aumenta etanol na gasolina

A Lei n° 13.033, de 2014, foi sancionada esta semana pela presidente da República e autoriza o aumento das misturas de biodiesel ao óleo diesel, para 7%, e de etanol à gasolina, de 25% para 27,5%, no país. O aumento de etanol na gasolina é resultante de emenda de autoria do deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB), secretário-geral da Executiva Nacional do PSDB e vice-líder do partido na Câmara.

O deputado Thame comemorou a sanção e destacou que após vários meses de intenso trabalho no Congresso e reuniões promovidas por associações e Ministério de Minas e Energia, o governo tomou a decisão acertada e urgente para salvar os produtores. “Toda a cadeia produtiva de biocombustíveis está ociosa e passa por uma profunda crise, sofre com a falta de investimentos e incentivos do atual governo para continuar produzindo, gerando empregos e outros inúmeros benefícios que advém dos combustíveis limpos”, destacou o parlamentar.

Foto-Etanol

“Aumentar de 25% para 27,5% a mistura de etanol à gasolina é uma pequena diferença, mas significa um aumento de 10% no mercado de álcool anidro. Mercado cativo para esse produto, tão desejado pelo mundo inteiro, que quer abolir essa civilização carbonária que nós construímos com emissão de CO2 e construir uma nova civilização, com combustíveis renováveis”, completou.

Além de estimular a produção, o parlamentar tucano destacou cinco externalidades positivas do uso dos biocombustíveis: melhorar a balança comercial com menos importação de combustíveis fósseis; benefícios para saúde pública com eliminação do chumbo tetraetila; diminuição da emissão de gases de efeito estufa; produção de energia elétrica com o bagaço da cana, além da criação de empregos.

CRISE –  O setor sucroalcooleiro enfrenta uma das maiores crises da história. Endividamento, perda da competitividade diante da gasolina e até problemas climáticos afetaram toda a cadeia produtiva. De 2008 a 2014, 66 usinas sucroalcooleiras suspenderam suas atividades ou fecharam definitivamente as portas na região Centro-Sul do Brasil.

Além disso, a crise contaminou a indústria de bens de capital, que já fechou mais de 50.000 vagas.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal e Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

 

Fonte:

http://www.mendesthame.com.br/2014/09/27092014-emenda-de-thame-que-aumenta-etanol-na-gasolina-vira-lei/

Moagem de cana do centro-sul desacelera na 1ª quinzena de setembro

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul totalizou 39,89 milhões de toneladas na primeira metade de setembro. Esse resultado é 15,98% inferior às 47,48 milhões de toneladas moídas na quinzena anterior e 7,44% menor em relação ao valor observado no mesmo período de 2013 (43,10 milhões de toneladas).

No acumulado desde o início da safra até 15 de setembro, a moagem alcançou 412,68 milhões de toneladas, contra 408,54 milhões de toneladas verificadas em igual data de 2013.

Os valores apurados mostram um recuo significativo da produção de açúcar na primeira metade de setembro. A quantidade fabricada atingiu 2,50 milhões de toneladas nos 15 primeiros dias do mês, ante 3,02 milhões de toneladas apuradas na quinzena anterior (queda de 17,09%) e 2,98 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra 2013/2014 – retração de 15,92%.

Segundo o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, “essa redução na produção de açúcar reflete a menor moagem na quinzena e o fato das usinas terem priorizado a fabricação de etanol”. As condições de demanda e os preços vigentes têm gerado incentivos econômicos à produção do biocombustível em detrimento ao açúcar, acrescentou.

 

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De fato, na primeira metade de setembro a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar totalizou 43,99%, expressivo recuo em relação aos 45,22% observados na quinzena passada e aos 49,28% verificados no mesmo período de 2013.

A queda no ritmo de produção de açúcar também pode ser observada a partir do rendimento industrial mensurado em quilos de açúcar por tonelada de cana-de-açúcar processada. Na primeira quinzena de setembro, esse índice apresentou queda de 9,17% no comparativo com o valor registrado em igual período do último ano: 62,75 kg de açúcar por tonelada de cana, contra 69,08 kg contabilizados em 2013.

Com isso, a produção de etanol alcançou 1,96 bilhão de litros nos primeiros 15 dias de setembro, ante 1,88 bilhão de litros apurados em igual período do último ano. Deste montante, 773,43 milhões de litros referem-se ao etanol anidro e 1,19 bilhão de litros ao etanol hidratado.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015, a produção de açúcar alcançou 23,43 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de etanol somou 18,11 bilhões de litros, com crescimento de 4,82% sobre o volume observado no mesmo período de 2013.

Para o diretor da UNICA, “a quantidade produzida até o momento não reflete a expectativa de menor oferta de cana-de-açúcar para essa safra”. Nos próximos meses, com o término antecipado da safra em várias regiões, o impacto da seca sobre a produção ficará mais evidente, concluiu.

Qualidade da matéria-prima
A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu 149,71 kg na primeira quinzena de setembro, frente a 147,11 kg por tonelada observado na mesma data da safra anterior.

Para Rodrigues, “é interessante observar que a queda no mix de produção do açúcar ocorreu em um momento de alta concentração de ATR na cana, quando as fábricas operam próximo de sua capacidade produtiva”. Persistindo o cenário de preços e essa tendência na produção, devemos observar uma ampliação ainda maior da proporção de matéria-prima destinada à fabricação de etanol quando o nível de ATR começar a cair, acrescentou.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015 até 15 de setembro, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima totalizou 134,44 kg, contra 131,40 kg por tonelada registrado na mesma data de 2013.

Vendas de etanol
As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul na primeira quinzena de setembro somaram 1,05 bilhão de litros, ante 1,04 bilhão de litros registrado no mesmo período do ano anterior. Deste total vendido, 990,03 milhões de litros destinaram-se ao mercado doméstico e apenas 57,36 milhões de litros à exportação.

No mercado doméstico, as vendas de etanol anidro totalizaram 422,05 milhões de litros, com alta de 15,29% em relação aos 366,07 milhões de litros observados na mesma data de 2013.

As vendas internas de hidratado, por sua vez, alcançaram 567,98 milhões de litros nos primeiros 15 dias de setembro, contra 541,84 milhões de litros computados na quinzena anterior (incremento de 4,83%) e 522,03 milhões de litros verificados em igual período da safra passada (aumento de 2,89%).

Para o executivo da UNICA, “a expectativa é de que esse aumento do consumo se acentue nas próximas quinzenas, pois o etanol hidratado tem se apresentado economicamente vantajoso em relação à gasolina nos principais estados consumidores”.

 

Fonte:

http://www.novacana.com/n/cana/safra/moagem-de-cana-do-centro-sul-desacelera-na-1-quinzena-de-setembro/

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